• 6 de março de 2026

‘Ozempic genérico’ pode custar menos de R$ 16 por mês, mostra novo estudo

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Versões genéricas das canetas Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk, destinadas ao tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, podem ser vendidas por menos de US$ 3 por mês, estimou um novo estudo. O valor equivale a cerca de R$ 15,82 na cotação atual e destaca o potencial de ampliação do acesso aos medicamentos para perda de peso.

A semaglutida injetável, princípio ativo dos dois remédios, poderia custar de US$ 28 a US$ 140 por ano (entre R$ 147,62 e R$ 738,12), segundo pesquisadores da Universidade de Liverpool, no Reino Unido.

Em comparação, o preço de tabela da farmacêutica nos Estados Unidos é de US$ 1.027,51 para o Ozempic e US$ 1.349 para o Wegovy por ano, embora a empresa tenha prometido reduzir ambos para US$ 675 em 1º de janeiro.

Já os preços de venda direta ao consumidor são menores, de US$ 349 por mês para a maioria das doses de Wegovy nos EUA. No Brasil, o tratamento mensal com o Ozempic pode chegar a R$ 1.299,70, e o com Wegovy a R$ 2.504,02.

Versões genéricas do Ozempic devem surgir em grandes mercados do mundo, como Índia, China, Canadá e Brasil, ainda neste ano, reformulando o setor nesses países, graças ao fim da patente. Analistas preveem que uma guerra de preços poderá eventualmente reduzir o custo mensal para até US$ 15, quase R$ 80, em alguns países.

As empresas poderiam vendê-lo por ainda menos, disseram os pesquisadores. O estudo foi divulgado nesta semana como preprint e ainda não foi publicado em uma revista científica com revisão por pares.

— Isso permite uma escala muito maior de tratamento. O preço baixo dá aos países a perspectiva de tratar toda a sua população — diz Andrew Hill, pesquisador visitante sênior da Universidade de Liverpool que ajudou a liderar o estudo.

Eles calcularam o custo analisando registros de remessas de 2024 e 2025 de ingredientes-chave usados para produzir semaglutida e estimaram os custos de fabricação, incluindo embalagem, impostos e lucro. Os métodos são semelhantes aos utilizados por outra equipe de pesquisadores que concluíram, em 2024, que o Ozempic poderia ser produzido com lucro por menos de US$ 5 (R$ 26,36) por mês.

Para as versões injetáveis, o próprio ingrediente do medicamento representava apenas uma fração do custo, entre 1 e 12 centavos de dólar por dose. Eles estimaram que as canetas de injeção representariam de 30 centavos a US$ 2,50 por dispositivo. Já versões orais do medicamento seriam mais caras, custando de US$ 186 a US$ 380 (R$ 980,64 a R$ 2.003,46) por ano.

O nível de acessibilidade da semaglutida genérica “dependerá em grande parte da produção em massa de dispositivos de baixo custo”, escreveram os pesquisadores no artigo. A equipe quis tornar suas conclusões públicas o mais rápido possível para dar às autoridades de saúde mais visibilidade enquanto negociam preços de genéricos de semaglutida, disse Hill.

Além dos 10 países onde a semaglutida perde proteção de patente neste ano, a equipe identificou mais 150 nações sem nenhum registro de patente. Isso significa que a semaglutida genérica poderia estar disponível em 160 países que abrigam 69% dos pacientes com diabetes tipo 2 e 84% das pessoas com obesidade, afirmaram os pesquisadores.

Fim da patente da semaglutida no Brasil

A patente da semaglutida, princípio ativo do Wegovy, do Rybelsus e do Ozempic, chega ao fim no dia 20 de março no Brasil. Com isso, após um prazo de 20 anos em que a farmacêutica teve exclusividade para comercializar a substância no Brasil, outras empresas poderão criar suas próprias versões.

Essas versões também precisam ser submetidas à aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que analisa os dados de qualidade, segurança e eficácia e comprova se elas de fato são equivalentes à semaglutida original. No ano passado, o Ministério da Saúde pediu à agência que priorizasse a análise das versões nacionais.

Isso porque as empresas já se prepararam e submeteram à Anvisa suas formulações de semaglutida antes do fim da patente. Esse processo pode ocorrer enquanto a patente ainda está válida, os laboratórios apenas são impedidos de comercializar o medicamento antes que o período da patente chegue ao fim.

Fonte: O Globo

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