- 5 de março de 2026
‘Sicário’ está em quadro de morte cerebral; PF abriu inquérito para apurar o caso depois de informar morte
O homem identificado pela Polícia Federal como Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, de 43 anos, preso na Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero, permanece em estado gravíssimo no CTI do Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. A informação mais recente foi divulgada nesta quinta-feira (5) pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais e confirmada pela defesa do investigado.
Mourão, conhecido entre os comparsas pelo apelido de “Sicário”, termo usado para designar assassino de aluguel, foi socorrido na tarde de quarta-feira (4) na Superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte, onde estava preso e aguardava audiência de custódia. Segundo a PF, ele tentou tirar a própria vida dentro da unidade.
Na noite de quarta, a Polícia Federal informou que médicos haviam constatado morte cerebral. Minutos depois, a Secretaria de Saúde de Minas Gerais corrigiu a informação e afirmou que o paciente continuava vivo, internado em estado grave. O advogado da família, Robson Lucas, declarou que o quadro segue gravíssimo, porém estável, sem indicação de abertura de protocolo para investigação de morte encefálica.
PF abre investigação
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, informou que foi aberto um inquérito para apurar as circunstâncias do ocorrido durante a custódia. Segundo ele, toda a movimentação dentro da unidade foi registrada por câmeras de segurança, sem pontos cegos.
A corporação também comunicou o caso ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal, e informou que enviará os registros em vídeo que mostram a dinâmica do episódio.
Em nota, a defesa afirmou que esteve com Mourão até por volta das 14h de quarta-feira, quando ele estaria em plena integridade física e mental, e disse que soube do incidente apenas após a divulgação do comunicado oficial da PF.
Investigação sobre fraudes financeiras
Luiz Phillipi Mourão foi preso na Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.
Na mesma operação também foi detido o banqueiro Daniel Vorcaro, apontado pelos investigadores como líder da organização criminosa.
De acordo com o relatório da investigação, Mourão teria papel central no grupo, atuando no monitoramento de alvos, na extração ilegal de dados de sistemas sigilosos e em ações de intimidação física e moral. Conversas interceptadas indicariam ainda uma dinâmica violenta entre ele e Vorcaro, com o investigado funcionando como “longa manus”, expressão jurídica usada para designar alguém que executa ordens em nome de outra pessoa.
Os investigadores apontam também fortes indícios de que Mourão recebia cerca de R$ 1 milhão por mês como pagamento pelos serviços ilícitos prestados à organização criminosa.