- 3 de janeiro de 2026
‘Não tem apoio ou respeito’, diz Trump sobre Maria Corina governar a Venezuela
Em uma carta divulgada neste sábado (3), a líder da oposição venezuelana e vencedora do Nobel da Paz, María Corina Machado, afirmou que Nicolás Maduro será responsabilizado judicialmente “pelos crimes atrozes cometidos contra os venezuelanos” e defendeu a posse imediata de Edmundo González no comando do país. González foi o candidato oposicionista que, de acordo com organizações internacionais, venceu as eleições presidenciais de 2024.
“Estamos preparados para fazer valer nosso mandato e tomar o poder”, escreveu María Corina, poucas horas após a captura de Maduro e após o ataque conduzido pelos Estados Unidos contra a Venezuela. Já o presidente norte-americano, Donald Trump, demonstrou cautela quanto ao futuro político imediato do país. Em pronunciamento oficial, afirmou que os Estados Unidos irão governar a Venezuela “até que haja uma transição adequada e justa”. Segundo ele, o petróleo venezuelano passará a ser explorado por empresas americanas e “voltará a fluir” sob a gestão de uma petroleira dos EUA, responsável pelas operações e pela infraestrutura.
A declaração de Trump ocorreu depois das manifestações da líder opositora. Questionado sobre a possibilidade de María Corina assumir o poder, o presidente norte-americano descartou o cenário. “Seria muito difícil para ela, ela não tem o apoio ou respeito do povo. Ela é uma mulher muito legal, mas não tem o respeito.”
Trump também afirmou que poderá enviar tropas ao território venezuelano, caso considere necessário, para assegurar o controle americano do país. Ao mesmo tempo, disse estar em negociação com Delcy Rodríguez, vice-presidente do governo Maduro, para tratar dos próximos passos.
Após o ataque deste sábado, Edmundo González afirmou que a Venezuela atravessa o que definiu como “horas decisivas”. “Venezuelanos, são horas decisivas, saibam que estamos prontos para a grande operação de reconstrução da nossa nação”, declarou em publicação na rede social X.
María Corina, que no fim do ano passado deixou seu esconderijo na Venezuela para viajar a Oslo, onde recebeu o Nobel da Paz, declarou que “chegou a hora da liberdade”. Ela também convocou a população a permanecer “vigilantes, ativos e organizados até que se concretize a transição democrática”.
“Nestas horas decisivas, recebam toda a minha força, minha confiança e meu carinho. Seguimos todos atentos e em contato. A Venezuela será livre.”
Trump afirmou ainda que Maduro e sua esposa, Cilia Flores, estão sendo levados a Nova York, onde deverão responder a acusações de narcoterrorismo e crimes relacionados ao tráfico de drogas.
Mais cedo, o governo venezuelano declarou que o país foi alvo de uma “agressão militar” por parte dos Estados Unidos, após uma série de explosões atingir Caracas e outras regiões durante a madrugada. Diante do cenário, foi decretado estado de emergência em todo o território nacional.
Redação Cidade 091 com informações de O Globo.