• 26 de dezembro de 2025

Zelensky anuncia encontro com Trump e relata avanço em negociações de paz mediadas pelos EUA

(Reprodução / Mykola Lazarenko)

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que deverá se reunir “em um futuro próximo” com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e avaliou como positiva a rodada mais recente de contatos com enviados americanos sobre uma possível saída negociada para a guerra iniciada pela invasão russa em fevereiro de 2022. Segundo Zelensky, as conversas renderam “novas ideias” sobre formatos, encontros e prazos para aproximar o que chamou de “uma paz real”.

A declaração foi feita após uma ligação, na quinta-feira, que durou quase uma hora, com o enviado especial dos EUA Steve Witkoff e com Jared Kushner, genro de Trump. Em mensagem publicada na sexta-feira na rede social X, Zelensky disse que os dois lados concordaram com uma reunião “no mais alto nível”, acrescentando que “muita coisa pode ser decidida antes do Ano-Novo”.

Os contatos fazem parte de uma ofensiva diplomática liderada por Trump e sua equipe, que vêm mantendo conversas tanto com a Ucrânia quanto com a Rússia em busca de um acordo para encerrar o conflito. De acordo com Zelensky, foi um “dia ativo” para a diplomacia ucraniana, embora ele tenha reconhecido que ainda há “trabalho a ser feito em questões sensíveis”. O presidente afirmou, no entanto, que há um entendimento conjunto com a equipe americana sobre como avançar. O principal negociador ucraniano, Rustem Umerov, continuará as discussões com os Estados Unidos.

Plano de paz

No início da semana, Zelensky detalhou um plano de paz atualizado com 20 pontos, acertado entre enviados americanos e ucranianos durante reuniões na Flórida. O texto é visto como uma revisão de um rascunho anterior preparado por Witkoff semanas atrás, que havia sido criticado em Kiev e por aliados europeus por se alinhar excessivamente às exigências maximalistas da Rússia antes da invasão.

Segundo Zelensky, a proposta atualizada prevê a possibilidade de retirada de tropas ucranianas do leste do país e a criação de uma zona desmilitarizada, desde que haja também um recuo russo. O plano incluiria garantias de segurança oferecidas pelos EUA, pela Otan e por países europeus, com previsão de uma resposta militar coordenada caso a Rússia volte a invadir a Ucrânia.

Sobre a região industrial de Donetsk, no leste, Zelensky afirmou que a criação de uma “zona econômica livre” é uma das opções em discussão. Ele ressaltou que quaisquer áreas das quais as tropas ucranianas se retirem teriam de continuar sob policiamento da própria Ucrânia. Atualmente, a Rússia controla cerca de 75% de Donetsk e aproximadamente 99% da vizinha Luhansk; juntas, as duas regiões formam o Donbass.

Apesar das negociações, Zelensky tem sido pressionado por Trump a ceder todo o Donbass à Rússia — algo que o líder ucraniano rejeita. Até agora, Kiev descarta concessões territoriais e condiciona qualquer acordo a garantias de segurança consideradas inabaláveis. Moscou, por sua vez, insiste que a Ucrânia entregue o território que ainda controla na região. O presidente russo, Vladimir Putin, já advertiu que, caso as tropas ucranianas não deixem o Donbass, a Rússia irá tomá-lo.

Na quinta-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que Moscou está analisando as propostas levadas dos Estados Unidos pelo enviado russo Kirill Dmitriev. Segundo ele, a continuidade do diálogo com Washington dependerá das decisões do presidente russo. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, chegou a dizer que há um “progresso lento, porém constante” nas negociações, embora Moscou não tenha indicado disposição para se retirar das áreas ocupadas.

Ataques continuam

Enquanto os esforços diplomáticos avançam lentamente, os combates seguem intensos. Na Ucrânia, uma pessoa morreu e outras três ficaram feridas após uma bomba aérea guiada atingir uma casa na região de Zaporizhzhia. Seis pessoas ficaram feridas em um ataque com mísseis à cidade de Uman. Ataques com drones russos contra Mykolaiv e seus arredores deixaram parte da cidade sem energia elétrica, e drones também danificaram infraestruturas de energia e do porto em Odesa, no mar Negro.

Do lado ucraniano, o Exército afirmou ter atingido, na quinta-feira, a refinaria de Novoshakhtinsk, na região russa de Rostov, considerada estratégica para o fornecimento de combustível às operações militares russas no leste ocupado da Ucrânia. Segundo o Estado-Maior ucraniano, múltiplas explosões foram registradas após o ataque, realizado com mísseis Storm Shadow fornecidos pelo Reino Unido. O governador regional, Yuri Slyusar, disse que um bombeiro ficou ferido ao combater o incêndio.

Ataques ucranianos de longo alcance contra refinarias russas buscam reduzir a receita de exportação de petróleo de Moscou, enquanto a Rússia tenta atingir a rede elétrica da Ucrânia, em uma estratégia que autoridades de Kiev descrevem como a tentativa de “transformar o inverno em arma”, ao restringir o acesso da população civil a aquecimento, luz e água.

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