• 14 de dezembro de 2025

Kast vence eleições presidenciais no Chile e deve enfrentar Congresso sem maiorias definidas

Reprodução: Twitter (X).

Conforme indicavam as projeções, José Antonio Kast (Partido Republicano) foi declarado presidente eleito do Chile no segundo turno das eleições realizadas neste domingo, com 58,30% dos votos e mais de 95% das urnas apuradas.

O ultradireitista assumirá o posto em um cenário político adverso, marcado por um Congresso sem maiorias definidas e por possíveis dificuldades na formação de um governo com uma direita fragmentada. A vitória de Kast sobre a candidata governista Jeannette Jara (Partido Comunista do Chile) o tornará o presidente mais à direita do país desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet, há 35 anos.

Pouco após o resultado ser anunciado, Jara, que teve 41,70% dos votos, reconheceu a derrota e parabenizou seu adversário em uma postagem no X: “A democracia falou alto e claro. Acabei de falar com o presidente eleito para desejar-lhe sucesso para o bem do Chile”, escreveu.

Ela também expressou sua gratidão aos seus apoiadores e acrescentou que continuará “trabalhando para promover uma vida melhor em nosso país”. O presidente do partido de Kast, Arturo Squella, confirmou a ligação telefônica entre os dois.

Segundo o Serviço Eleitoral (Servel) do país, tal como no primeiro turno, mais de 15 milhões de eleitores estavam aptos a votar.

Eleitores de Kast logo tomaram as ruas para celebrar a vitória, com bandeiras do Chile e as de sua campanha à Presidência. Ele assumirá o Palácio La Moneda, sede do Executivo, em março.

O presidente Gabriel Boric também telefonou para o recém-eleito presidente: “Quero que ele saiba que, como presidente da República, estarei sempre à disposição para servir a nação”, disse Boric. “Em algum momento, ele experimentará a solidão do poder, onde terá que tomar decisões muito importantes”.

Quem é Kast?

Advogado de 59 anos, católico devoto e pai de nove filhos, Kast defendeu ao longo da campanha uma agenda rígida nas áreas de segurança pública e imigração. Entre suas principais promessas, estão a deportação de cerca de 340 mil imigrantes em situação irregular — em sua maioria venezuelanos —, a construção de um muro na fronteira com a Bolívia e o endurecimento do combate à criminalidade.

Os temas também ocuparam o centro da campanha de Jara no segundo turno. Advogada de 51 anos e ex-ministra do Trabalho do presidente Boric, ela ajustou o discurso para dialogar com um eleitorado que cada vez mais associa o aumento da criminalidade aos imigrantes sem documentação no país. Segundo uma pesquisa do Ipsos, de outubro, 63% dos chilenos veem crime e violência como suas maiores preocupações, embora especialistas afirmem que a percepção de medo supera os índices reais.

Fonte: O Globo.

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