• 28 de novembro de 2025

Incêndio em edifício em Hong Kong deixou 120 mortos e 9 foram presos

Reprodução: REUTERS/Tyrone Siu

O incêndio que matou mais de 120 pessoas e deixou 79 feridos em um condomínio de arranha-céus em Hong Kong começou em uma rede de proteção usada em reformas e se espalhou rapidamente por placas de isopor e andaimes de bambu, informou o governo nesta sexta-feira (28). O fogo, iniciado na quarta-feira (26), só foi totalmente controlado quase 48 horas depois, no pior desastre do tipo registrado na cidade em décadas.

Segundo o secretário de Segurança, Chris Tang, a rede externa instalada nos andares inferiores teria sido o ponto inicial das chamas, que subiram rapidamente pelo material inflamável usado na obra. As altas temperaturas também destruíram parte da estrutura de bambu, cujo colapso ajudou a espalhar o fogo por outros andares.

Sistema de alarme falhou

O Corpo de Bombeiros informou que o sistema de alarmes dos prédios estava com defeito e não funcionou corretamente, dificultando o alerta aos moradores. As chamas atingiram sete das oito torres de 31 andares, onde vivem cerca de 4,6 mil pessoas.

Mais de 200 moradores seguem desaparecidos, e as autoridades afirmam que o número de mortos pode aumentar.

Nove presos por suspeita de negligência

Até o momento, nove pessoas foram detidas:

  • três integrantes da construtora responsável pela obra — que devem responder por homicídio culposo;
  • seis outras pessoas presas nesta sexta-feira por ligação com o caso.

A polícia afirma que as telas de proteção não atendiam aos padrões de segurança contra incêndio e que houve “grave negligência” por parte da empresa. Na quinta-feira (27), agentes cumpriram mandados na sede da Prestige Construction & Engineering Company e apreenderam documentos.

Resgate dificultado por calor extremo

Entre as vítimas está um bombeiro. Outros agentes ficaram feridos devido às temperaturas extremas dentro dos edifícios, que dificultaram o avanço das equipes de resgate.

O alerta de incêndio chegou aos bombeiros às 14h51 no horário local. Centenas de profissionais foram mobilizados, e o nível de emergência foi elevado ao grau máximo (5). Mil policiais reforçaram o atendimento à ocorrência.

Rodovias próximas foram bloqueadas, linhas de ônibus desviadas e dois quarteirões ao redor do condomínio chegaram a ser isolados.

Histórico de tragédias

Hong Kong tem um histórico de incêndios de grande porte. O último com impacto semelhante ocorreu em 1996, quando 41 pessoas morreram durante reformas internas. Desde então, regras de segurança foram reforçadas, mas tragédias envolvendo andaimes de bambu continuam frequentes — 22 trabalhadores morreram entre 2019 e 2024, segundo associações locais.

Em 2024, ao menos três incêndios relacionados ao uso desse tipo de estrutura foram registrados.

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