- 18 de novembro de 2025
Roteiro “Belém a Busan” é lançado na COP30 para mobilizar países frente ao avanço do nível do mar
Durante a COP30, em Belém, o Ministério das Cidades apresentou o roteiro internacional “Belém a Busan”, um plano que vai reunir governos, cidades e organizações de vários países até 2028. O objetivo é discutir e buscar soluções para um dos problemas mais urgentes da crise climática: a elevação do nível do mar.
O anúncio foi feito em um painel com especialistas da ONU e representantes de organismos internacionais que trabalham com redução de riscos e planejamento urbano. Entre eles estavam Kamal Kishore, do Escritório da ONU para Redução de Desastres, e Anaclaudia Rossbach, diretora executiva da ONU-Habitat.
O roteiro organiza uma jornada de três anos, conectando a COP30 a outros grandes encontros mundiais sobre clima, cidades e oceanos. Entre os eventos previstos estão reuniões no Azerbaijão, no Rio de Janeiro e na Índia. A ideia é que governos, cientistas e instituições troquem informações e construam, juntos, soluções para proteger cidades costeiras, que são as mais afetadas pelo avanço do mar.
O documento destaca por que esse debate é tão urgente: 40% da população mundial vive perto da costa, onde também se concentra grande parte da economia global. Com isso, qualquer aumento no nível do mar pode causar perda de território, erosão, enchentes, contaminação de fontes de água e prejuízos econômicos para milhões de pessoas.
O “Belém a Busan” foca em quatro frentes principais: simplificar o entendimento sobre o risco do avanço do mar, divulgar soluções que já funcionam em outros países, aproximar diferentes agendas internacionais e reunir resultados práticos que serão apresentados em Busan, na Conferência da ONU sobre Oceanos, em 2028.
Antes do lançamento, o Ministério das Cidades já vinha preparando o terreno. Em outubro, reuniu especialistas e autoridades em Brasília para discutir o tema. E durante a COP30, organizou ainda uma visita a Barcarena, onde representantes internacionais viram de perto como a erosão e as marés mais fortes já afetam comunidades ribeirinhas e urbanas.
Com esse roteiro, o Brasil busca fortalecer a cooperação global e mostrar liderança na construção de cidades mais seguras e preparadas para os impactos climáticos.