• 8 de novembro de 2025

Cúpula dos Povos quer participação popular em decisões da COP em Belém

Reprodução: Divulgação

Representantes da Cúpula dos Povos criticaram, nesta sexta-feira (7), a ausência de espaço para a participação da sociedade civil durante a Cúpula do Clima, evento pré-COP30. realizada em Belém. Segundo os organizadores, o encontro entre chefes de Estado, ocorrido na quinta (6) e sexta-feira (7), não garantiu uma escuta justa e plural das demandas populares sobre a crise climática.

Em coletiva de imprensa, membros da comissão política da Cúpula dos Povos Rumo à COP 30 afirmaram que o enfrentamento à emergência climática exige diálogo com os povos e comunidades afetadas. “As soluções apresentadas para a transição energética não incluem os povos e são impostas de cima para baixo”, declarou Isabel Cristina, do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM).

Os representantes também denunciaram a exclusão de integrantes da sociedade civil das “Discussões Temáticas” da Cúpula dos Líderes, além da ausência de autorização para fala em espaços oficiais. Para os movimentos, a crise climática é consequência direta de políticas conduzidas pelos países do Norte Global, e não um evento isolado.

Durante a coletiva, os integrantes citaram o furacão Melissa, que atingiu a Jamaica, como exemplo da “realidade brutal” do colapso climático. “Esses países, já sobrecarregados pelo subdesenvolvimento colonial, não têm financiamento nem infraestrutura para lidar com isso”, afirmaram em nota.

A Cúpula dos Povos defende que as soluções para a emergência climática devem colocar a vida acima do lucro, com políticas de transição justa, democrática e popular.

A Cúpula dos Povos

O evento ocorre de 12 a 16 de novembro, na Universidade Federal do Pará (UFPA), reunindo mais de 1,1 mil movimentos sociais de 62 países. A programação se organiza em torno dos eixos:

  • Justiça Climática e Reparação Histórica
  • Combate ao Racismo Ambiental e ao Poder Corporativo
  • Feminismo Popular e Antipatriarcado
  • Anticolonialismo e Valorização da Biodiversidade
  • Transição Justa, Democrática e Popular
  • Territórios Vivos e Soberania Alimentar
  • Cidades Justas e Periferias Vivas

A abertura será marcada por uma barqueata, no dia 12. Nos dias 13 e 14, ocorrem plenárias e debates. No dia 15, está prevista a Marcha da Sociedade Civil, com concentração às 8h no Mercado de São Brás e caminhada até a Aldeia Cabana. O encerramento, no dia 16, trará a entrega da Declaração dos Povos, documento com propostas e reivindicações que será encaminhado à presidência da COP e ao governo brasileiro.

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