- 8 de agosto de 2025
PF desmonta garimpos ilegais em terras indígenas, no Pará
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta sexta-feira (8), a Operação Cupim de Aço, para investigar o financiamento de garimpos ilegais no entorno da Terra Indígena Apyterewa, no Pará. A ação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão nos estados do Pará e Tocantins, com apreensão de mídias, veículos, joias, armas e outros materiais ligados à investigação.
Três mandados foram cumpridos no distrito da Taboca, em São Félix do Xingu (PA), e dois no Tocantins — em Araguaína e Campos Lindos, onde também houve prisão em flagrante de um dos alvos por porte ilegal de arma de fogo.
Garimpo ilegal de cassiterita
A investigação começou após monitoramento remoto identificar degradação ambiental na região. Em maio de 2024, uma ação in loco revelou a existência de garimpo ilegal de cassiterita em plena atividade. O trabalho da PF permitiu identificar financiadores e o arrendatário da terra utilizada para a extração mineral ilegal.
As apurações seguem para dimensionar o prejuízo ambiental, localizar outros pontos de garimpo e responsabilizar todos os envolvidos.
Operação anterior fechou seis garimpos
A Operação Aurum Protectio, deflagrada em 16 de julho pela PF com apoio do Ibama, já havia fechado seis garimpos de ouro e cassiterita na mesma região. Uma máquina escavadeira hidráulica foi apreendida e seis outras foram inutilizadas, junto a motores e equipamentos de coleta de minério, como prevê a lei para evitar reutilização em crimes ambientais.
Durante a operação, trabalhadores foram encontrados em condições precárias, vivendo em barracões de lona sem portas ou paredes, com água imprópria para consumo e banheiros improvisados. As provas colhidas embasam investigações por redução à condição análoga à escravidão, crimes ambientais e usurpação de bens da União.
Ações cumprem decisão do STF
As operações fazem parte de uma série de ações da PF em Redenção (PA) para cumprir a decisão do STF na ADPF 709/2020, que determinou a desintrusão das terras indígenas Apyterewa e Kayapó e a repressão a crimes ambientais e de exploração mineral ilegal em seu interior e entorno.
*Com informações da PF no Pará.