- 26 de fevereiro de 2026
Tráfico de brasileiros no Sudeste Asiático acende alerta do Itamaraty; Paraenses conhecem o drama por experiências na Guiana
O Ministério das Relações Exteriores emitiu um alerta urgente sobre o aumento de casos de tráfico de brasileiros para o Sudeste Asiático. La, promessas de emprego no exterior se convertem em exploração laboral sob coação, jornadas exaustivas e até cárcere privado. O aviso acende a memória dos paraenses, que já viram casos de tráfico de pessoas em direção aos garimpos da Guiana Francesa. Situações que deixaram marcas na memória coletiva.
O alerta consular divulgado a partir de Brasília pelo Itamaraty destaca que quadrilhas criminosas têm inserido anúncios atraentes nas redes sociais prometendo trabalho em “call centers” e empresas de tecnologia na Tailândia, Camboja, Laos e Mianmar, com salários elevados, passagens e hospedagem garantidas. Jovens brasileiros, em sua maioria com conhecimento de informática, são aliciados por esses anúncios, mas, ao chegarem aos países, encontram retenção de documentos, longas jornadas e a obrigação de atuar em esquemas de fraudes online, apostas e golpes com criptomoedas.
Entre os casos que motivaram o alerta estão relatos de brasileiros que aceitaram a oferta e, no Myanmar, foram mantidos sob condições análogas à escravidão por meses, com jornadas de até 15 horas diárias e agressões físicas, conseguindo fugir e receber assistência consular posteriormente, como noticiou recentemente o site Metrópoles.
Exploração sexual
A preocupação com tráfico humano nos deslocamentos internacionais não é inédita no Pará. Na fronteira amazônica com a Guiana Francesa, situações semelhantes já ocorreram, com brasileiros atraídos por promessas de trabalho em garimpos que se transformaram em exploração ou violência.
Relatórios da Polícia Federal sobre a região das Guianas apontam que, no Arco Norte do Brasil, incluindo Pará e Amapá, há destaque para o tráfico de pessoas para fins de exploração sexual e laboral na Guiana Francesa. O crime é impulsionado pelo fluxo de garimpo e recrutamento irregular de trabalhadores atraídos por oportunidades aparentemente vantajosas.
Em 2024, a Polícia Federal deflagrou a operação “Ilusão” para investigar um esquema de recrutamento de crianças e adolescentes no Amapá com a promessa de trabalho em garimpo na Guiana Francesa, que se transformava em exploração sexual em instalações controladas por criminosos. Outro episódio envolveu o resgate de brasileiros sob condições de trabalho forçado em um garimpo no setor de Boulanger, na Guiana Francesa, onde uma organização criminosa armada obrigava trabalhadores a jornadas extenuantes sob ameaças, com suspeitas de homicídios de quem se recusasse a obedecer.
Quem está em risco?
Esses exemplos, próximos geograficamente à realidade de muitos paraenses e à rotina fronteiriça de Belém e cidades vizinhas, ilustram que as dinâmicas de tráfico de pessoas na fronteira com a Guiana Francesa tem referências históricas e muitas vezes são ignoradas pelo grande público, servindo de alerta para a necessidade de ampliar a compreensão do fenômeno além dos casos no sudeste asiático.
De acordo com o Itamaraty, os grupos mais vulneráveis incluem jovens em busca de melhores oportunidades, profissionais recém-formados sem experiência internacional e pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica que, diante da falta de perspectivas locais, são alvos fáceis de ofertas sedutoras.