- 18 de março de 2026
Tenente-coronel é preso no interior de SP suspeito de matar esposa PM e tentar forjar suicídio
A Polícia Civil prendeu, na manhã desta quarta-feira (18), o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, investigado pela morte da esposa, a policial militar Gisele Alves Santana. Ele foi indiciado por feminicídio e fraude processual. A prisão ocorreu no apartamento do oficial, localizado no bairro Jardim Augusta, em São José dos Campos.
De acordo com a polícia, o oficial foi encontrado em casa por volta das 8h12, durante ação que contou com agentes da Polícia Civil e da Corregedoria da PM. Após a detenção, ele deve ser encaminhado ao 8º Distrito Policial, na capital paulista, onde será interrogado e formalmente indiciado. Em seguida, passará por exame de corpo de delito antes de ser transferido para o Presídio Militar Romão Gomes.
A prisão foi solicitada à Justiça na terça-feira (17), com aval do Ministério Público de São Paulo e da Corregedoria da PM, e autorizada pela Justiça Militar após a inclusão de novos laudos da Polícia Técnico-Científica. Segundo a investigação, análises sobre a trajetória do projétil e a profundidade dos ferimentos foram determinantes para afastar a hipótese inicial de suicídio.
O caso ocorreu em 18 de fevereiro, quando Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento do casal. Inicialmente registrado como suicídio, o episódio passou a ser tratado como possível feminicídio após decisão judicial. Laudos periciais apontaram lesões no rosto e no pescoço da vítima, além de indicarem que o disparo ocorreu à queima-roupa. Também não foram encontrados vestígios de pólvora nas mãos da policial.
Outros elementos reforçaram a suspeita de crime, como a presença de manchas de sangue em diferentes cômodos do imóvel. Exames toxicológicos descartaram consumo de álcool ou drogas, e confirmaram que a vítima não estava grávida. O corpo chegou a ser exumado para aprofundamento das análises, e o inquérito ainda aguarda resultados complementares do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC).
Depoimentos e mensagens obtidas pela investigação também levantaram indícios de um relacionamento conturbado. Em conversa com uma amiga, Gisele teria relatado comportamentos de ciúmes do marido e feito menção a temer pela própria vida. A mãe da vítima afirmou em depoimento que a filha vivia um relacionamento abusivo, com episódios de controle e violência.
A defesa do tenente-coronel nega as acusações e sustenta que Gisele tirou a própria vida. Em nota, o advogado Eugênio Malavasi afirmou que aguarda a conclusão dos laudos periciais e disse confiar que a versão de suicídio será comprovada ao fim das investigações. Já os representantes da família da vítima defendem que houve feminicídio e cobram responsabilização.
A expectativa das autoridades é que o Inquérito Policial Militar seja concluído nos próximos dias.