• 5 de janeiro de 2026

Suspeita de doença de Chagas leva à interdição de pontos de venda de açaí em Ananindeua

Foto: Reprodução/Agência Pará

Moradores de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, denunciaram um possível surto de doença de Chagas associado ao consumo de açaí vendido em um estabelecimento localizado no conjunto Cidade Nova 6. De acordo com os relatos, pessoas que teriam ingerido a bebida no local estão internadas em unidades de saúde da capital paraense.

Um dos denunciantes, que preferiu não se identificar, afirmou que a tia e a prima permanecem hospitalizadas após consumirem o açaí comprado no ponto de venda. Em outro relato, um consumidor informou que a esposa e a sogra seguem internadas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular de Belém, também depois de consumir o produto no mesmo estabelecimento.

A Prefeitura de Ananindeua informou, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SESAU), que tomou conhecimento da situação. Segundo a gestão municipal, equipes da Vigilância Sanitária estiveram nos locais denunciados, realizaram análises técnicas e continuam acompanhando os casos, prestando assistência às pessoas afetadas.

Ainda de acordo com a SESAU, os estabelecimentos sob investigação foram interditados de forma preventiva, como medida de proteção à saúde da população, até a conclusão das análises e dos procedimentos técnicos. A secretaria ressaltou que a Vigilância Sanitária realiza vistorias periódicas em todos os pontos de comercialização de açaí no município, com o objetivo de garantir a qualidade dos produtos e a segurança dos consumidores. A prefeitura reforçou o compromisso com a saúde pública e afirmou que todas as medidas cabíveis estão sendo adotadas.

Pelo menos três casos foram confirmados da doença de chagas por consumo de açaí, configurando contaminação por via oral, em Ananindeua. A Sesau disse também que 10 pontos irregulares foram notificados na região metropolitana de Ananindeua. Sobre a morte de um rapaz de 26 anos, que teria consumido o açaí de um ponto de vendas que foi interditado, não é de conhecimento da Secretaria de Saúde de Ananindeua. Uma pessoa segue em observação em uma unidade hospitalar.

Já o Instituto Evandro Chagas (IEC) informou que o não possui dados oficiais sobre o número de pessoas infectadas neste caso e que não é responsável por ações de fiscalização ou controle sanitário, atribuições que cabem às secretarias municipais e estaduais de saúde, além das vigilâncias sanitária e epidemiológica.

Doença de Chagas

A doença de Chagas é uma infecção causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi. Tradicionalmente, a transmissão ocorre por meio do inseto conhecido como barbeiro, quando o parasita presente nas fezes do inseto entra no organismo humano. Os sintomas iniciais podem incluir febre, inchaço no local da infecção e aumento dos gânglios linfáticos. Sem tratamento, a doença pode evoluir para formas crônicas, afetando principalmente o coração e o sistema digestivo.

Nos últimos anos, a transmissão por via oral ganhou destaque, especialmente associada ao consumo de alimentos como açaí e caldo de cana contaminados, sobretudo quando produzidos de forma artesanal e sem tratamento térmico adequado. Por isso, autoridades de saúde reforçam a importância de cuidados rigorosos na produção, manipulação e consumo do açaí, principalmente em regiões onde há registro da doença.

Pará

O Pará registrou redução nos casos de doença de Chagas em 2024, com 475 confirmações ao longo do ano, o que representa uma queda de 11% em relação a 2023, quando foram contabilizados 539 casos. Os dados foram divulgados pela Coordenação Estadual da Doença de Chagas da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).

Os cinco municípios com maior número de casos em 2024 foram Abaetetuba (55), Breves (45), Cametá (41), Curralinho (41) e Barcarena (39).

O coordenador estadual de combate à doença de Chagas, Eder Monteiro, destacou que a redução reflete o esforço conjunto entre Estado, municípios e setores produtivos, mas reforçou a necessidade de manter a vigilância. “A queda nos casos mostra que estamos no caminho certo, mas é fundamental seguir com as ações para garantir diagnóstico precoce e tratamento adequado”, afirmou.

Dados preliminares apontam que, em janeiro de 2025, foram registrados 13 casos da doença no estado, uma redução de 48% em comparação com o mesmo período de 2024, quando houve 25 registros.

Apesar da queda, a Sespa reforça a importância dos cuidados para evitar novos casos. Além das ações estaduais e das medidas adotadas pelos setores envolvidos na produção do açaí, a população deve buscar estabelecimentos certificados pela Vigilância Sanitária e adotar precauções, como evitar contato com o inseto barbeiro e acionar as autoridades sanitárias ao identificá-lo.

O consumo de açaí, alimento essencial da cultura paraense, não precisa ser interrompido, mas é fundamental que o produto seja adquirido em locais que sigam boas práticas de higiene e segurança alimentar.

Transmissão, sintomas e prevenção

A doença de Chagas pode ser transmitida principalmente de duas formas: pela via vetorial, quando o inseto barbeiro infectado deposita fezes contaminadas após a picada, e pela via oral, por meio da ingestão de alimentos contaminados, geralmente associada à falta de controle de higiene no processamento.

Na fase aguda, a doença pode causar febre, cansaço, inchaço no rosto e nos membros, palpitações e falta de ar. Como os sintomas podem ser confundidos com outras enfermidades, a orientação é procurar atendimento médico ao apresentar sinais suspeitos.

Além da contaminação em pontos comerciais, há registros de transmissão doméstica, especialmente em áreas rurais, onde o açaí é processado para consumo familiar sem os devidos cuidados. A Sespa reforça a importância da higienização adequada do fruto, tanto para produtores comerciais quanto para quem prepara o alimento em casa.

O diagnóstico precoce é essencial, pois quanto mais tempo o Trypanosoma cruzi permanece no organismo sem tratamento, maiores podem ser os danos, principalmente ao coração e ao sistema digestivo. As ações de prevenção incluem vigilância epidemiológica, monitoramento dos municípios mais vulneráveis, análise dos casos registrados no Sinan e capacitação contínua dos profissionais de saúde.

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