• 11 de abril de 2026

Suicídio entre jovens cresce em Belém, expondo uma crise de saúde mental ignorada pelo poder público

Reprodução/Agência Brasil

O suicídio já figura entre as principais causas de morte entre jovens em Belém. Essa realidade reafirma a crise de saúde mental que perturba a cidade. Em 2022, foram registrados 235 casos de lesões autoprovocadas, dentro de um total de 1.484 no estado, segundo dados do Datasus. Especialistas alertam que os números podem ser maiores, devido à subnotificação recorrente nesses casos.

O cenário coloca a capital paraense no centro de um problema que se agrava em todo o país. No Brasil, cerca de 11 milhões de pessoas vivem com depressão, o equivalente a 6% da população, enquanto transtornos de ansiedade afetam dezenas de milhões. Globalmente, são 280 milhões de pessoas com depressão e 301 milhões com ansiedade, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.

Entre jovens de 15 a 29 anos, o suicídio é a quarta principal causa de morte no mundo, mas em Belém ele já aparece entre as mais frequentes nessa faixa etária. Entre 2011 e 2022, a taxa de suicídio entre jovens brasileiros aumentou cerca de 6% ao ano. Mais de 90% dos casos estão associados a transtornos mentais, como depressão e ansiedade, muitas vezes sem diagnóstico ou tratamento adequado.

Apesar da gravidade, a resposta do poder público municipal ainda é considerada insuficiente por especialistas. A ausência de políticas locais mais robustas, campanhas permanentes de prevenção e ampliação da rede de atendimento evidencia uma atuação aquém da urgência do problema. Sem coordenação efetiva e investimento contínuo, Belém segue reagindo de forma pontual a uma crise que exige planejamento estruturado, uma omissão que pode custar vidas.

Na capital paraense, fatores como desigualdade social, precariedade urbana e limitações na rede pública ampliam o risco. Embora o Sistema Único de Saúde ofereça suporte por meio da Rede de Atenção Psicossocial, com unidades básicas e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), a estrutura não acompanha o aumento da demanda.

Além disso, estudos recentes do SUS indicam que um em cada quatro brasileiros já teve pensamentos suicidas, um dado que reforça o caráter silencioso e disseminado do problema.

Ajuda gratuita

O tratamento em clínicas psiquiátricas não é barato, mas moradores de Belém podem acessar atendimento gratuito por diferentes portas do sistema de saúde. Há os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), com acompanhamento especializado; as Unidades Básicas de Saúde (UBS), que funcionam como porta de entrada; as UPAs e hospitais para situações de crise; e o Centro de Valorização da Vida, pelo telefone 188, com escuta 24 horas. Em todos esses locais, o atendimento é gratuito e, em muitos casos, pode ser buscado diretamente.

Em Belém, a crise de saúde mental já não pode ser tratada como tendência distante ou estatística global. Ela tem endereço, idade e urgência. E, enquanto o poder público hesita em agir com a dimensão necessária, cresce também a responsabilidade coletiva de cobrar respostas, porque ignorar o problema é permitir que os números avancem enquanto vidas ficam para trás.

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