- 8 de fevereiro de 2026
Socialista António Seguro derrota candidato da extrema direita e vence eleição presidencial em Portugal
O candidato socialista moderado António José Seguro venceu o segundo turno da eleição presidencial em Portugal, realizado neste domingo, de maneira contundente, com 99% das urnas apuradas. Segundo os números, Seguro recebeu quase 67% votos válidos, contra 33% de André Ventura, líder do partido de extrema direita Chega, hoje a segunda força política do país. A abstenção de quase 50% foi outra protagonista da votação.
“Os vencedores da noite são os portugueses e a democracia. Os portugueses por terem, em condições muito adversas, superado mais um desafio”, afirmou Seguro no discurso da vitória, em Lisboa, no qual se referiu às tempestades que causaram estragos e mortes no país nas últimas semanas. “Precisamos de um país preparado, não de um país ao improviso face aos fenômenos atmosféricos que serão mais frequentes”, completou.
Ao se referir a Ventura, que havia reconhecido a derrota pouco antes, disse que “todos os que concorreram comigo merecem o meu respeito”, que e ” partir desta noite deixamos de ser adversários” para “partilhar a luta por um Portugal mais desenvolvido e mais justo”.
“Lembro-me que a política pode ser serviço e mudar vidas. Que as pessoas merecem sempre mais. Continuo a pensar igual, sou um de vocês”, afirmou.
Os números confirmam o favoritismo de Seguro, que no primeiro turno terminou com 31,1% dos votos e foi bem-sucedido ao angariar apoios desde a esquerda até partes da direita moderada no segundo. A lista de aliados, contudo, não incluiu o primeiro-ministro, Luís Montenegro, que no mês passado afirmou que não apoiaria nenhum candidato.
“Esta vitória é de todos os democratas, dos direitos constitucionais. Dois terços do país quiseram que não fosse alguém que não prezasse a constituição a ser presidente”, afirmou o secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, destacando que “a vitória vai da esquerda do PS, ao centro e à direita democrática”.
Líder da Juventude Socialista nos anos 1990, quando se aproximou do ex-premier e hoje secretário-geral da ONU, António Guterres, Seguro se elegeu deputado nacional e posteriormente eurodeputado na lista encabeçada por Mário Soares, no final do século passado. No Partido Socialista, chegou a disputar a liderança da sigla, na década de 2010, mas foi derrotado por António Costa (que se tornaria premier) nas primárias e abandonou temporariamente a vida pública.
Em 2024, começou a ventilar uma candidatura à sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa, confirmada meses depois, e agora consagrada com a vitória no segundo turno. Caso se confirmem as projeções, será o melhor resultado de um candidato à Presidência desde 1991, quando Mário Soares foi eleito para seu segundo mandato com 70,35%. Embora seu percentual tenha sido menor do que o da eleição de Soares, Seguro recebeu a maior votação presidencial já registrada, quase 3,5 milhões de votos.
O papel do chefe de Estado português seja principalmente simbólico, mas ele atua como árbitro em momentos de crise e tem o poder de dissolver o Parlamento para convocar eleições legislativas antecipadas.
Do outro lado estava André Ventura, líder do Chega, que confirmou a força da extrema direita em Portugal, também presente nas últimas eleições legislativas, com 34% dos votos válidos. Na campanha, o discurso anti-imigração foi sua principal bandeira, e rendeu o apoio até de comunidades de estrangeiros, como parte dos brasileiros que vivem no país.
“Tivemos o melhor resultado da nossa história”, disse Ventura, nas primeiras declarações após a derrota. “Quando o povo fala, o povo é soberano. Se o povo escolheu António José Seguro, é ele que será presidente. E eu espero que ele seja um bom presidente, porque o país precisa”.