- 4 de março de 2026
Professor da UFRA é condenado a 5 anos por fraude fundiária no Pará e caso atinge campanha da ex-reitora
A Justiça do Pará condenou o engenheiro agrônomo e professor titular da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Paulo Roberto Silva Farias, a cinco anos de reclusão pelos crimes de estelionato e falsidade ideológica. A decisão foi proferida pela Comarca de Baião e fixou o regime inicial semiaberto, além de 30 dias-multa. Ainda cabe recurso.
Segundo a sentença, Farias foi responsabilizado por fraudar a regularização de títulos de terras no município de Baião, no nordeste paraense. De acordo com o Ministério Público, ele teria induzido a vítima ao erro ao assumir a regularização documental de imóveis rurais, transferido os bens para o próprio nome e, posteriormente, exigido R$ 200 mil para devolver os documentos.
Conforme os autos, a vítima pagou inicialmente R$ 50 mil para que o professor providenciasse a regularização das terras. Em vez de concluir o procedimento em favor do verdadeiro comprador, porém, o réu registrou os imóveis em seu próprio nome. Testemunhas ouvidas em juízo confirmaram que as áreas haviam sido negociadas com a vítima e relataram inconsistências nos registros apresentados.
A sentença também aponta a inserção de informações falsas em documentos públicos, o que caracteriza o crime de falsidade ideológica. O juiz fixou pena de dois anos e seis meses de reclusão por estelionato e igual período por falsidade ideológica. Como se tratam de crimes distintos, as penas foram somadas, totalizando cinco anos. Após o trânsito em julgado, o nome do professor deverá ser incluído no rol dos culpados, com comunicação ao Tribunal Regional Eleitoral.
O caso ganhou dimensão política dentro da universidade porque o docente é marido da ex-reitora da UFRA, Herdjania Veras, que declarou candidatura à reeleição. Neste ano, a instituição realizará consulta para formação de lista tríplice destinada à escolha do novo reitor.
Herdjania se afastou do cargo antes mesmo da publicação do edital da consulta. Em documento datado de 5 de fevereiro, ela solicitou afastamento “em razão de candidatura ao cargo de reitora, conforme parágrafo segundo do artigo 26 do Estatuto da Universidade Federal Rural da Amazônia, a partir de 8 de fevereiro de 2025, até a homologação do resultado da consulta prévia”.
A movimentação provocou reação imediata da União dos Centros Acadêmicos da UFRA. Em nota, estudantes, professores e técnicos administrativos afirmaram ver “práticas antidemocráticas, autoritárias e desrespeitosas com a autonomia universitária”.
A ex-reitora foi nomeada em 2021, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, embora não tenha sido a mais votada na consulta interna que formou a lista tríplice. A escolha ocorreu em meio a disputas políticas que dividiram a comunidade acadêmica.
O marido, agora condenado, também se posicionou publicamente no campo político. Em publicações nas redes sociais, apareceu ao lado do deputado federal Eder Mauro (PL) e escreveu: “A Ufra terá um candidato de direita na próxima eleição”. Em outra postagem, afirmou: “Obrigado ao Bolsonaro e ao deputado Eder Mauro pela amizade e parceria que culminou com a maior mudança na Ufra. Não sou traidor; continuo filiado ao PL e lutando contra os comunistas dentro da Ufra.”
A condenação criminal, ainda sujeita a recurso, insere novo elemento na já polarizada disputa interna pela reitoria. Embora não haja, até o momento, implicação direta da ex-dirigente no processo judicial, o episódio tende a ser explorado no debate eleitoral.
Na UFRA, onde a memória recente ainda guarda as marcas de uma nomeação contestada, a sentença que atinge o marido da candidata reacende a discussão sobre política, gestão e credibilidade institucional e impõe à campanha um peso que vai além das urnas universitárias.