- 26 de fevereiro de 2026
Presidente nacional do Republicanos é contra o fim da escala 6×1: ”Ócio demais faz mal”
O líder do Republicanos na Câmara e deputado federal por São Paulo, Marcos Pereira, criticou as discussões sobre o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias seguidos para ter um de descanso. Segundo ele, a proposta não deveria ser debatida neste momento de ano eleitoral e pode trazer impactos negativos à economia.
Pereira afirmou estar “muito preocupado” com a pauta e relatou ter manifestado contrariedade ao presidente da Câmara, Hugo Motta. Para o parlamentar, o tema é sensível em ano eleitoral e pode expor a Casa a pressões políticas. Ele argumentou que notas técnicas do setor produtivo indicam que a mudança pode elevar custos e reduzir a competitividade da economia brasileira. “Pode ficar ruim para todos”, declarou.
Declarações sobre lazer e repercussão
Ao comentar a proposta, Pereira afirmou que “quanto mais trabalho, mais prosperidade” e avaliou que “lazer demais também, o ócio demais faz mal”. O deputado sugeriu ainda que, sem condições financeiras, trabalhadores pobres poderiam ficar “expostos a drogas e jogos de azar” com um dia livre a mais.
As declarações geraram críticas. O jornalista Leonardo Sakamoto, do portal UOL, afirmou que o discurso associa de forma preconceituosa o lazer a vícios e desordem, transformando um debate trabalhista em julgamento moral.
Para Sakamoto, a discussão deve se concentrar em dados e respeito. “A pergunta não é o que o pobre fará com mais tempo livre. É por que alguém precisa trabalhar seis dias seguidos para provar seu valor. Trabalhadores não precisam de tutela. Precisam de dignidade”, escreveu.
Tramitação da proposta
Segundo Pereira, Hugo Motta justificou o envio da proposta à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) como forma de garantir protagonismo da Câmara na discussão. O deputado também demonstrou surpresa com comparações feitas entre a proposta e marcos históricos como a criação da Consolidação das Leis do Trabalho. O debate sobre a escala 6×1 segue em análise no Congresso Nacional.