• 27 de março de 2026

Plano federal mira novos investimentos turísticos e abre janela para projetos no Pará

Reprodução/Agência Brasil

O turismo no Pará entrou em uma fase de expansão acelerada, impulsionado pelo aumento do fluxo doméstico e pela projeção internacional da Amazônia. Em 2024, o estado recebeu mais de 1,2 milhão de visitantes, alta de 15,4% em relação ao ano anterior, com impacto econômico superior a R$ 870 milhões. Para 2025, a expectativa é atingir cerca de 1,5 milhão de turistas, crescimento próximo de 20%, puxado sobretudo pela realização da COP30 e pela maior visibilidade internacional desse destino.

Os dados mostram predominância do turismo doméstico, que responde pela ampla maioria dos visitantes e da receita. Em Santarém, um dos principais polos turísticos, 309 mil dos 312 mil visitantes registrados em 2025 eram brasileiros. Ainda assim, o fluxo internacional cresce de forma consistente, com aumento no número de estrangeiros e avanço da conectividade aérea. O aeroporto de Belém já registra expansão relevante nesse segmento.

Destinos como Alter do Chão, Ilha do Marajó e a própria capital concentram a maior demanda, combinando natureza, cultura e gastronomia. Em Santarém, o turismo cresceu cerca de 15% em um ano e movimentou mais de R$ 202 milhões em 2025, avanço de 16,5% na receita do setor, um indicativo da capacidade de geração de renda local, de acordo com a Prefeitura de Santarém. 

A COP30 atuou como catalisador desse movimento. Somente durante o evento, Belém recebeu mais de 50 mil visitantes de cerca de 160 delegações, com taxa de ocupação hoteleira de 95% e forte impacto sobre comércio, serviços e infraestrutura turística. A conferência também impulsionou novos equipamentos e ampliou a oferta de leitos, deixando um legado permanente para o setor. 

Agora, o Ministério do Turismo avança na ampliação do seu Plano de Atração de Investimentos Privados, que já reúne 73 projetos estruturados e prevê a seleção de mais 30 iniciativas em todo o país. A carteira soma mais de R$ 5,6 bilhões em aportes estimados e potencial de gerar cerca de 100 mil empregos diretos e indiretos.

Os projetos estão distribuídos em diferentes regiões, mas o Pará aparece como território com margem relevante para novas propostas. O estado reúne ativos turísticos ainda subexplorados, com potencial de atrair capital privado em segmentos como ecoturismo, turismo cultural e infraestrutura de acesso.

Entre as frentes possíveis estão a estruturação de polos em Belém, porta de entrada da Amazônia, e o fortalecimento de destinos já conhecidos, como Santarém e a região de Alter do Chão, que concentram fluxo turístico crescente, mas ainda carecem de investimentos em hospedagem, mobilidade e serviços.

Outra área estratégica é a Ilha do Marajó, onde propostas podem incluir desde infraestrutura de transporte até empreendimentos de base comunitária. A região combina patrimônio natural e cultural, com apelo para o turismo sustentável, um dos eixos prioritários do plano federal.

O programa do ministério funciona como uma vitrine para investidores, reunindo estudos de viabilidade, modelagens e informações sobre cada projeto. A ideia é reduzir riscos e acelerar parcerias entre o poder público e a iniciativa privada.

No caso paraense, especialistas apontam que a inclusão de projetos na carteira federal pode destravar gargalos históricos, como logística e baixa oferta de serviços turísticos qualificados. Também tende a ampliar a visibilidade internacional do estado, alinhando-se à demanda crescente por destinos ligados à biodiversidade e à cultura amazônica.

A expectativa é que governos locais e o setor produtivo apresentem propostas estruturadas para disputar espaço na próxima rodada de seleção. Para os paraenses, o desafio é transformar o atual ciclo de crescimento, impulsionado por eventos globais e pela demanda por turismo sustentável, em projetos concretos capazes de captar parte dos bilhões previstos no plano.

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