• 28 de dezembro de 2025

Planejamento financeiro é aliado para começar 2026 com as contas em dia

Foto: Reprodução/Redes Sociais

O fim de ano, marcado por confraternizações, troca de presentes e aumento do consumo, também é um período estratégico para refletir sobre hábitos financeiros e planejar o futuro. Especialistas alertam que promoções, facilidades de pagamento e o apelo emocional das datas comemorativas podem levar a decisões precipitadas, comprometendo o orçamento nos meses seguintes. Diante desse cenário, o consumo consciente e o planejamento financeiro ganham destaque como medidas essenciais para iniciar 2026 de forma mais segura e equilibrada.

Levantamento do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) estima que cerca de R$ 7,6 bilhões sejam injetados na economia paraense com o pagamento do 13º salário aos trabalhadores formais. Em contrapartida, dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil indicam que mais de 68,6 milhões de brasileiros estão com dívidas em atraso, o equivalente a quatro em cada dez adultos negativados. O número evidencia os desafios da gestão financeira em um cenário de juros elevados, mas também aponta o abono de fim de ano como oportunidade para reorganizar as contas.

Segundo o consultor de Sustentabilidade e Cooperativismo, Eber Ostemberg, o principal risco neste período é a compra por impulso. “Campanhas promocionais e expressões como ‘compre agora e pague depois’ ativam gatilhos emocionais e podem levar o consumidor a assumir compromissos que não cabem no orçamento”, afirma. Para ele, consumo consciente não significa deixar de comprar, mas avaliar a real necessidade, comparar preços e verificar a incidência de juros. “Pequenas decisões, repetidas ao longo do tempo, têm grande impacto no orçamento”, ressalta.

Ostemberg também chama atenção para o uso do 13º salário e do cartão de crédito sem planejamento. “Quando esses recursos são utilizados sem critério, o risco é começar o ano endividado e precisar recorrer a novos empréstimos para equilibrar as contas”, alerta. Ele destaca que manter um controle financeiro não exige ferramentas complexas: registros simples, planilhas ou aplicativos já ajudam a acompanhar receitas e despesas.

O diálogo dentro de casa também é apontado como fundamental. Incluir crianças e adolescentes nas conversas sobre dinheiro contribui para a formação de consumidores mais conscientes. “Educação financeira é educação para a vida. Quando a família compartilha objetivos e decisões, o consumo se torna mais responsável”, destaca o consultor.

Planejamento financeiro para um novo começo

Para quem deseja iniciar 2026 com mais organização, o planejamento financeiro é considerado o caminho mais seguro. A consultora de Negócios do Sicredi, Marianne Moraes, explica que o primeiro passo é compreender o próprio comportamento de consumo. “Antes de qualquer planilha, é preciso entender quanto se ganha, como se gasta e quais despesas fazem sentido. Organização financeira é alinhar o dinheiro aos objetivos de vida”, afirma.

Ela aponta como prioridades a formação de uma reserva de emergência, a redução de dívidas com juros elevados e a adequação do padrão de vida à renda disponível. “Somente após esse equilíbrio é possível avançar para investimentos e projetos de longo prazo”, orienta.

Com a taxa Selic em 15% ao ano, compras parceladas e financiamentos tendem a ficar mais caros, enquanto a renda fixa se apresenta como alternativa para quem consegue poupar. “Planejar permite consumir melhor hoje e aproveitar melhor as oportunidades amanhã”, completa Marianne.

Educação financeira

Comprometido com a melhoria da qualidade de vida dos associados e com o desenvolvimento local, o Sicredi desenvolve iniciativas voltadas à educação financeira. Entre elas está o programa Cooperação na Ponta do Lápis, que leva informações e boas práticas financeiras a diferentes públicos, de crianças a microempreendedores, com metodologias adaptadas a cada realidade.

A proposta é unir educação financeira e comportamento, reconhecendo que decisões sobre dinheiro envolvem hábitos e emoções. Com ações presenciais e digitais, cursos gratuitos e parcerias educativas, o programa busca formar consumidores mais conscientes e preparados para o futuro.

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