- 1 de abril de 2026
PF encontra mais de 8 mil vídeos em celulares de Vorcaro
Peritos envolvidos na análise dos celulares apreendidos com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, encontraram mais de 8 mil vídeos nos aparelhos. O material foi extraído de nove smartphones ligados ao banqueiro, obtidos ao longo das diferentes fases da investigação. Além desses vídeos, há grande quantidade de outros tipos de arquivos digitais sob análise.
O volume de dados inclui registros pessoais e profissionais, com arquivos que vão desde registros antigos até conteúdos mais recentes. Os peritos estão separando conteúdos pessoais e interações corriqueiras do que realmente importa para a investigação. Diante da quantidade de dados, a análise demanda tempo e cautela para evitar conclusões precipitadas, dizem pessoas com acesso ao processo.
Imagens de Vorcaro ao lado de políticos e autoridades, por exemplo, vêm sendo selecionadas e analisadas. A avaliação, no entanto, é que registros de presença em eventos e encontros sociais, por si só, não configuram indícios de irregularidades.
Por isso, o material tem sido tratado com cautela pelos investigadores, sendo necessário cruzá-lo com outros elementos de prova para verificar eventual relevância para a apuração.
A avaliação de pessoas com acesso ao material é que, à medida que os arquivos forem examinados, novas frentes de apuração possam ser abertas, inclusive com base em elementos ainda não identificados nas etapas iniciais do caso.
Vorcaro está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília desde 19 de março, onde negocia um acordo de colaboração premiada com a PF e a Procuradoria-Geral da República. A expectativa entre pessoas envolvidas no processo é que a eventual delação contribua para esclarecer pontos ainda pendentes da investigação, especialmente aqueles que não puderam ser totalmente reconstruídos a partir do material apreendido.
Desafio da triagem
O volume de dados é apontado como um dos principais desafios do processo. Segundo relatos, o material apreendido inclui milhares de arquivos sem relação direta com os fatos apurados, o que impõe um trabalho de filtragem para separar conteúdos pessoais de possíveis evidências.
Integrantes da investigação afirmam que, embora a delação seja considerada relevante, boa parte das informações já está contida nos dispositivos apreendidos. Nesse cenário, a expectativa é de que a colaboração traga elementos inéditos, capazes de lançar luz sobre pontos ainda não alcançados pelos policiais.
De acordo com pessoas com conhecimento do assunto, a apuração ainda está em fase intermediária, com diversas frentes abertas e pontos pendentes de aprofundamento. Assim, investigadores afirmam que medidas “mais incisivas” só são adotadas quando há robustez suficiente nos elementos reunidos, de forma a evitar fragilidades processuais. A preocupação é garantir que eventuais pedidos à Justiça sejam sustentados por provas consistentes, reduzindo o risco de questionamentos ou nulidades no curso do processo.
Redação Cidade 091 com informações de O Globo.