• 3 de dezembro de 2025

Pesquisa mostra como a violência sexual atinge meninas no Pará

Reprodução: Freepik

Quase 90% das vítimas de violência sexual contra crianças e adolescentes no Pará são meninas. Entre 2019 e 2023, o estado registrou 19.631 ocorrências envolvendo pessoas de 0 a 17 anos, segundo levantamento do Coletivo Futuro Brilhante divulgado nesta terça-feira (2), em Belém. O estudo revela ainda que Vitória do Xingu lidera, proporcionalmente, os casos no estado, seguida por Salvaterra e Soure, no Marajó — regiões historicamente marcadas por vulnerabilidades sociais.

A apresentação dos dados integrou o Seminário Estadual de Revisão do Plano Decenal Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, promovido pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, na Escola Judicial do TJPA. O Coletivo Futuro Brilhante, responsável pela coordenação local, atua desde 2014 em ações de prevenção e educação em escolas públicas.

O levantamento, que considerou registros policiais dos 144 municípios paraenses, aponta que 17.518 vítimas são meninas, distribuídas entre 8.437 casos envolvendo crianças de 0 a 11 anos e 11.194 entre adolescentes de 12 a 17 anos. A casa da vítima é o principal cenário dos abusos, superando ruas, instituições e outros espaços. A maior parte das ocorrências acontece nos turnos da manhã e da tarde, período associado a menor supervisão adulta.

Os suspeitos são majoritariamente homens: mais de 17 mil registros os apontam como autores, contra pouco mais de 300 ocorrências envolvendo mulheres. A maioria dos agressores é composta por pessoas do círculo familiar ou de convivência da vítima: tios, padrastos, vizinhos, parentes próximos ou parceiros da mãe.

No arquipélago do Marajó, a combinação de fatores como pobreza extrema, longas distâncias, ausência do Estado, desigualdade de gênero e turismo desregulado acentua o risco, segundo estudos da UFPA. Em Salvaterra, pesquisas identificam forte vulnerabilidade ao turismo sexual; já em Soure, diagnósticos do CNJ apontam naturalização da violência doméstica, subnotificação e escassez de estruturas de proteção.

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