• 6 de abril de 2026

Pedido de Flávio por união na direita após rixa entre Nikolas e Eduardo reforça tensão na família Bolsonaro na pré-campanha

Reprodução / Redes Sociais

O pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por “união na direita” após uma rusga entre o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro expõs mais uma divergência familiar no período de pré-campanha, momento que já revelou tensões também entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e os enteados.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio disse que era necessário chamar todos para a “racionalidade” e reclamou das lideranças da direita “se digladiando” enquanto o “inimigo está do lado de lá”.

A fala ocorreu após Eduardo afirmar que Nikolas compartiha perfis nas redes de pessoas que não declaram voto no irmão. O deputado mineiro reagiu com um riso, e o ex-parlamentar disse que não havia “limites para o desrespeito” de Nikolas com a família Bolsonaro.

Após a discussão, Nikolas compartilhou o vídeo de Flávio pedindo união com a frase “concordo, presidente”.

A divergência não é um episódio isolado na pré-campanha dentro e fora da família Bolsonaro — Eduardo e Nikolas já haviam discutido anteriormente.

A decisão de Flávio de ampliar a pré-campanha além do bolsonarismo raiz, incorporando nomes e grupos da direita que estiveram distantes, abriu uma frente de tensão dentro da própria família e entre aliados mais próximos.

O incômodo se concentra em uma sequência de movimentos que redesenham o entorno da pré-candidatura: a filiação de Sergio Moro ao PL, a definição de Deltan Dallagnol como nome prioritário ao Senado no Paraná, a incorporação de Efraim Filho ao partido, a aproximação com o Novo — como Romeu Zema tratado como possível vice — e entendimento no Ceará com o grupo de Ciro Gomes, hoje cotado para disputar o governo estadual.

Para Carlos e Eduardo Bolsonaro, a abertura a esses nomes pode descaracterizar o projeto político e enfraquecer a identidade construída ao longo dos últimos anos. Procurados, eles não se manifestaram.

Interlocutores próximos aos irmãos afirmam que alianças com figuras que já divergiram do bolsonarismo tendem a gerar ruído na base mais fiel, que se mobiliza a partir de um discurso de distinção clara em relação a outros campos da direita. Há também uma leitura política: ao ampliar demais o leque, Flávio pode, na prática, dificultar a consolidação de sua liderança, abrindo espaço para rearranjos dentro da própria direita.

No entorno do senador, porém, a leitura é inversa. Aliados sustentam que a ampliação de alianças é condição para evitar isolamento em estados estratégicos e montar uma candidatura viável nacionalmente. O entendimento foi fortalecido com a entrada do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) na disputa pela Presidência, movimento que já dividiu o apoio do agronegócio.

— Mesmo com divergências no passado, todos nós queremos olhar para frente. O Brasil não aguenta mais divisão. O que une é a necessidade de mudar o rumo do país — afirmou Flávio.

Reação no núcleo ideológico

A resistência passou a se manifestar publicamente. Carlos e Eduardo intensificaram a atuação para frear o avanço dessas alianças, sobretudo com o grupo ligado a Deltan Dallagnol. Carlos voltou a atacar indiretamente esse grupo, associando seus integrantes a figuras que buscariam se beneficiar eleitoralmente da base bolsonarista sem vínculo orgânico com o movimento.

A prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro alterou a dinâmica interna do grupo. Com acesso restrito ao ex-presidente, a interlocução política passou a depender ainda mais de quem está no entorno imediato, e Michelle ganhou centralidade. Aliados de Carlos e Eduardo passaram a defender que Flávio faça visitas frequentes ao pai, como forma de não perder espaço para a madrasta na interlocução direta.

A tensão com o núcleo mais ideológico ficou exposta também com o voto favorável de Flávio ao projeto que equipara a misoginia ao crime de racismo. Na bancada do PL, o episódio é lido como parte do mesmo movimento de moderação e ampliação do discurso, ainda que produza atritos com a base mais fiel.

A proposta, aprovada por unanimidade no Senado, passou a ser alvo de resistência entre bolsonaristas que atuam para barrá-la na Câmara. A reação partiu de nomes influentes do campo, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o influenciador Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo Bolsonaro.

Interlocutores do senador, por sua vez, sustentam que o projeto delimita os casos puníveis e não representa ameaça a direitos individuais. Também destacam que Flávio atuou para evitar uma tramitação acelerada da proposta.

A declaração de Eduardo, em evento nos Estados Unidos, de que teria produzido um vídeo para o pai também causou atritos com Michelle. Mesmo antes da manifestação formal da defesa, ela divulgou nota afirmando que não recebeu nenhum vídeo do enteado. Bolsonaro está em prisão domiciliar, e uma das condições impostas é não usar celular nem por meio de terceiros.

Redação Cidade 091 com informações de O Globo.

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