• 2 de março de 2026

Pará revive ciclo de enchentes e conta o número de vítimas a cada inverno amazônico

Semas/Agência Pará

Mais ou menos nesta época, do final de janeiro de 2025 ao início de março, moradores de Santarém viveram mais um capítulo dramático das enchentes que assombram o interior do Pará. Em poucos dias de chuva intensa, ruas do centro e das áreas mais baixas ficaram submersas, casas foram invadidas pela água e famílias viram móveis e lembranças serem arrastados. Com registro de alagamentos e vendavais, a prefeitura decretou situação de emergência, enquanto a Defesa Civil montava abrigos e iniciava o levantamento dos prejuízos.

O episódio não é isolado. Levantamentos estaduais e federais indicam que, entre 2013 e 2023, mais de 60 mil pessoas ficaram desalojadas ou desabrigadas no Pará em decorrência de enchentes e inundações. No mesmo período, ao menos duas dezenas de mortes foram associadas diretamente a eventos hidrológicos extremos no estado. Os prejuízos acumulados incluem danos a moradias, estradas e equipamentos públicos e ultrapassam R$ 500 milhões, segundo estimativas consolidadas a partir de decretos de emergência e relatórios da Defesa Civil.

Entre 1999 e 2023, pelo menos 124 dos 144 municípios paraenses registraram algum tipo de desastre natural ligado a chuvas intensas. E a curva é ascendente: nos últimos dez anos, a frequência de decretos de emergência aumentou, acompanhando o agravamento de eventos extremos e a ocupação urbana desordenada.

Mapa do perigo

No oeste do estado, cidades como Monte Alegre, Óbidos e Alenquer enfrentam enchentes recorrentes associadas às cheias do rio Tapajós e de afluentes do Amazonas. No sudeste, municípios como Marabá e Parauapebas sofrem com o transbordamento do rio Tocantins e com enxurradas urbanas.

As consequências se repetem ano após ano: famílias desabrigadas, muitas vezes dependentes de abrigos improvisados em escolas; destruição de estradas vicinais e pontes, isolando comunidades por dias ou semanas; interrupção no fornecimento de energia e água; perdas na agricultura familiar e no comércio local.

Em 2022, por exemplo, enchentes em municípios do baixo Amazonas deixaram mais de 8 mil pessoas afetadas diretamente, segundo dados estaduais da Defesa Civil. Em 2023 e 2024, novos decretos de emergência reforçaram o padrão de recorrência.

Como enfrentar?

Quando os níveis dos rios começam a subir, a estrutura coordenada pela Defesa Civil do Pará entra em ação com apoio dos Comitês Municipais de Defesa Civil (Comdec). O trabalho envolve: monitoramento hidrológico e pluviométrico diário; emissão de alertas por SMS e redes sociais; vistorias em áreas de risco; retirada preventiva de famílias; distribuição de cestas básicas, kits de higiene e água potável; solicitação de reconhecimento federal de emergência para liberação de recursos.

Apesar disso, técnicos admitem limitações estruturais. Em muitas cidades ribeirinhas, não há sistema de drenagem adequado nem planejamento urbano que impeça construções em áreas inundáveis. A resposta, frequentemente, ainda é reativa e chega depois que a água já invadiu as casas.

Consequências

O impacto social é profundo. A cada cheia, aumentam os gastos públicos com reconstrução, assistência social e recuperação de infraestrutura. Especialistas apontam que o estado enfrenta um ciclo perverso: reconstrói-se o que foi destruído sem alterar o padrão de ocupação que torna a tragédia previsível.

O inverno amazônico ainda não atingiu seu pico. As previsões meteorológicas indicam chuvas dentro ou acima da média histórica entre março e maio, período crítico para o transbordamento dos grandes rios.

Enquanto isso, nas casas à beira do rio, moradores observam o nível da água subir centímetro a centímetro. Não é apenas o rio que avança. É a sensação de que, ano após ano, a tragédia deixa de ser surpresa. E passa a ser uma perigosa rotina.

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