• 11 de abril de 2026

Pará quilombola entra na disputa nacional por reconhecimento e protagonismo cultural

Pedro Guerreiro / Ag. Pará

A abertura das inscrições para o Prêmio Nacional para Mestras e Mestres de Povos Quilombolas promove um interesse positivo no Pará. É hora de transformar tradição em visibilidade e reconhecimento concreto. Com duas premiações destinadas à Região Norte, no valor de R$ 39 mil cada, o edital representa uma oportunidade estratégica para mestres e mestras paraenses levarem ao cenário nacional saberes que há séculos resistem à invisibilidade.

Os números ajudam a dimensionar essa força. Segundo o IBGE, com base no Censo 2022, o Brasil tem cerca de 1,3 milhão de pessoas que se identificam como quilombolas. O Pará é um dos estados com maior presença dessas comunidades na Região Norte, com uma população de 135.603 pessoas quilombolas, reunindo centenas de territórios reconhecidos ou em processo de certificação. Mais de 110 territórios já receberam títulos definitivos concedidos pelo Iterpa (Instituto de Terras do Pará) e muitos outros seguem sob a chancela da Fundação Cultural Palmares.

Essa capilaridade territorial se traduz em diversidade cultural. No Baixo Amazonas, no Marajó, no nordeste paraense e na região do Tocantins, práticas como o carimbó de raiz, o uso tradicional de ervas medicinais, as técnicas agrícolas ancestrais e as celebrações religiosas formam um patrimônio vivo que vai muito além do folclore. São sistemas de conhecimento.

É justamente esse conjunto que o prêmio busca reconhecer. A iniciativa do Ministério da Igualdade Racial, em parceria com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, mira mestres que atuam como guardiões da memória coletiva, responsáveis por transmitir práticas que sustentam a identidade quilombola ao longo das gerações.

No Pará, especialistas avaliam que a participação no edital pode ter efeito multiplicador. Além do recurso financeiro, o reconhecimento nacional fortalece a luta por políticas públicas, titulação de territórios e acesso a direitos básicos. Em um estado onde muitos territórios ainda enfrentam insegurança fundiária, a visibilidade também é instrumento de proteção.

A divisão regional das premiações, baseada em dados populacionais do próprio IBGE, reforça o peso demográfico e cultural das comunidades. O desafio, porém, ainda existe. É garantir que mestres e mestras do interior profundo, muitas vezes afastados dos meios digitais e burocráticos, consigam se inscrever até o prazo de 8 de maio. Mais do que uma disputa por prêmios, o edital se configura como um termômetro de reconhecimento histórico. No Pará, onde a herança quilombola se entrelaça com a formação social do estado, cada inscrição carrega séculos de resistência, saber e pertencimento.

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