• 9 de janeiro de 2026

Países da União Europeia aprovam acordo com o Mercosul e criam maior zona de livre-comércio do mundo

(Ricardo Stuckert / PR)

Uma maioria qualificada de Estados europeus aprovou na sexta-feira o acordo com o Mercosul, criando a maior zona de livre-comércio do mundo, apesar da indignação dos agricultores e da oposição da França. O aval abre caminho para que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viaje já na segunda-feira ao Paraguai para assinar o tratado comercial com o bloco sul-americano. O Paraguai está na presidência rotativa do Mercosul neste ano.

A votação oficial, porém, ainda não ocorreu. A leitura de que o acordo foi aprovado é baseada nas declarações de embaixadores dos 27 Estados-membros durante a reunião, que começou às 11h (7h em Brasília). Os votos serão declarados às 17h (13h no horário de Brasília).

Segundo o jornal espanhol El País, França, Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda mantiveram-se contrárias ao acordo, enquanto a Bélgica decidiu se abster.

O que mudou foi a posição da Itália, que se deu por satisfeita com as concessões feitas aos agricultores nos últimos dias. Com isso, foi possível garantir a maioria qualificada de 55% dos países que representem ao menos 65% da população da União Europeia. São dos dois requisitos para a aprovação do pacto comercial pelos europeus.

Alemanha: aposta em novas parcerias

O tratado é resultado de mais de 20 anos de negociações e é considerado histórico porque criará uma zona de livre-comércio de mais de 720 milhões de consumidores. Combinadas, as economias somam US$ 22,3 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB).

“É um acordo fundamental para a União Europeia, no plano econômico, político, estratégico e diplomático”, disse Olof Gill, um dos porta-vozes da comissão, braço executivo do bloco europeu.

A Alemanha, uma das maiores apoiadoras da iniciativa, disse que ‘envia um sinal importante’, após a maioria dos membros da UE votar a favor do pacto.

“Enquanto outros estão se fechando e adotando políticas comerciais cada vez mais agressivas, estamos apostando em novas parcerias”, afirmou o ministro das Finanças, Lars Klingbeil, em comunicado.

Próximos passos

Mesmo que a assinatura avance em Assunção, o acordo não entrará imediatamente em vigor, já que do lado da UE é também necessário o aval do Parlamento Europeu, o que deve demorar semanas. Nessa etapa, é necessária apenas maioria simples dos eurodeputados.

No caso do Mercosul, cada nação precisa ratificar o acordo em seu próprio Congresso Nacional. No Brasil, isso significa a aprovação pelo Congresso Nacional, explica Roberto Jaguaribe, conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e ex-embaixador do Brasil na Alemanha.

Segundo ele, como o acordo na UE foi desmembrado, ele não precisa passar individualmente pelos parlamentos de cada país europeu. A Comissão Europeia tem competência para negociar a parte comercial e tarifária em nome do bloco.

“Isso faz com que a expectativa de que ele entre em vigor seja mais realista. Se tivesse que passar por cada parlamento (europeu), sabemos que isso não aconteceria. Mas não é o caso”, diz Jaguaribe, que projeta a assinatura como um primeiro passo simbólico significativo para os países envolvidos.

Oposição ao acordo

Ainda assim, cerca de 150 eurodeputados (de um total de 720) ameaçam recorrer à Justiça para impedir a aplicação do acordo.

A maior oposição vem da França. Nesta quinta-feira, o presidente do país, Emmanuel Macron, disse que votaria contra o tratado e pediu “rejeição política unânime” ao pacto. Disse ainda que a etapa da assinatura do acordo não seria “o fim da história”.

Vários agricultores protestaram contra o acordo em Paris e em Bruxelas, temendo a competição com produtos do Mercosul.

Em dezembro, a UE adiou a tentativa de assinatura após Macron e a premiê italiana, Giorgia Meloni, terem se recusado a apoiar o texto até que fossem aprovadas garantias para proteger o setor agrícola europeu.

Nesta semana, Bruxelas intensificou as negociações para tentar remover os últimos obstáculos. Na quarta-feira, ministros da Agricultura da UE se reuniram para discutir medidas de reforço ao apoio aos produtores rurais,

Na reunião, foi anunciado o adiantamento de até € 45 bilhões de euros em subsídios previstos no próximo orçamento da Política Agrícola Comum (PAC). Ao todo, o orçamento garantido da PAC soma 293,7 bilhões de euros. A medida foi elogiada pela Itália, que indicou ter retirado sua objeção.

Redação Cidade 091 com informações de O Globo.

Relacionadas

Vírus Nipah: tudo o que se sabe até agora sobre o microrganismo letal

Vírus Nipah: tudo o que se sabe até agora…

Um surto do vírus letal Nipah no estado de Bengala Ocidental tem deixado a Índia em alerta após a confirmação de…
Agentes do ICE matam americano durante protesto em Minneapolis, nos EUA

Agentes do ICE matam americano durante protesto em Minneapolis,…

Um homem baleado por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) morreu neste sábado (24) em…
Em conversa com Lula, Xi Jinping garante apoio da China e pede  união para o fortalecimento da ONU

Em conversa com Lula, Xi Jinping garante apoio da…

Em uma ligação por telefone na manhã desta sexta-feira (23), o presidente chinês Xi Jinping garantiu apoio da China ao Brasil…