• 24 de fevereiro de 2026

Ônibus de Belém têm 1.500 reclamações por mês, enquanto serviço piora, frota envelhece e cresce pressão por gratuidade

As reclamações sobre atrasos, superlotação e ônibus quebrados deixaram de ser relatos isolados e passaram a compor um retrato estatístico do transporte público em Belém. Dados de ouvidorias e órgãos de controle apontam mais de 1.500 reclamações formais por mês, com crescimento médio anual de 12% desde 2022. A principal queixa é a superlotação (40%), seguida de atrasos e viagens não realizadas (30%), má conservação (20%) e falta de acessibilidade (10%).

Segundo o Anuário do Transporte e da Mobilidade Urbana, o sistema municipal e metropolitano transportou 289.093.255 passageiros em 2019. Em 2020, o número caiu para 231.227.500. Em 2021, recuou ainda mais, para 195.894.825 passageiros. A redução acumulada entre 2019 e 2021 foi de 32,25%. Apenas de 2020 para 2021, a queda foi de 15,28%, indicando que, mesmo após o auge da pandemia, a recuperação foi lenta.

No recorte mais amplo, entre 2014 e 2024, o sistema perdeu cerca de 317 milhões de passageiros, segundo o Anuário. Este número revela retração prolongada da demanda e perda de confiança no serviço. Especialistas consultados no Anuário apontam múltiplos fatores para essa perda. Entre eles, redução de oferta em horários críticos, mudanças de padrão pós-Covid, precariedade estrutural e avanço de alternativas como aplicativos, mototáxis e vans informais.

A prefeitura anunciou nos últimos anos a incorporação de cerca de 300 novos ônibus, com investimento estimado em R$180 milhões. Os veículos incluem ar-condicionado e itens de acessibilidade. O problema é que esses coletivos representam aproximadamente 25% da frota total. A maior parte continua envelhecida: a idade média gira entre 9 e 11 anos, enquanto parâmetros técnicos nacionais recomendam média de até 5 anos. A defasagem chega a quase 80%. Na prática, isso significa mais falhas mecânicas, desconforto térmico, maior emissão de poluentes e custos operacionais elevados.

Paradas e redução

O sofrimento começa antes do passageiro subir. Belém possui cerca de 2.500 pontos de parada, mas a infraestrutura é insuficiente. Apenas 35% têm cobertura adequada, menos de 20% possuem assentos em boas condições e cerca de 40% não contam com iluminação adequada. Em uma cidade marcada por chuvas intensas e calor constante, esperar pelos ônibus significa enfrentar sol forte e muitas chuvas.

Em dias úteis, aproximadamente 1.200 ônibus circulam na capital. Já em domingos e feriados com tarifa gratuita, há relatos de redução de até 30% da frota, fazendo o número cair para 800 a 900 veículos. O efeito é imediato: espera superior a uma hora e superlotação, afetando principalmente trabalhadores informais e moradores da periferia.

Não por acaso, o transporte alternativo cresceu cerca de 25% nos últimos três anos. Em bairros periféricos, estima-se que até 40% dos deslocamentos diários já ocorram fora do sistema formal.

Moderno ou defasado?

O transporte público em Belém vive um paradoxo. Há anúncios de modernização o tempo todo, mas os indicadores apontam deterioração galopante. A perda de passageiros reduz receita. A redução de receita limita investimentos. O serviço piora. Na Câmara Municipal, começam discussões sobre modelos de financiamento e propostas de gratuidade integral, mas ainda sem consenso sobre fontes de custeio.

Para quem depende do ônibus para trabalhar, estudar ou acessar serviços básicos, o debate não é teórico. Ele se mede em minutos de atraso, em viagens feitas de pé sob calor intenso e em escolhas forçadas entre esperar ou pagar mais caro por aplicativos. Ao que tudo indica, ainda vai levar um tempo para que Belém veja nas ruas um transporte digno e confortável para a população e não se vê iniciativa da prefeitura com esse objetivo.

Relacionadas

Acidente deixa uma vítima fatal na Av. Independência, em Ananindeua

Acidente deixa uma vítima fatal na Av. Independência, em…

Um grave acidente de trânsito deixou uma vítima fatal na manhã deste sábado (11), no cruzamento da Av. Independência com a…
A mentalidade otimista treina o cérebro para ser feliz; comprova a ciência

A mentalidade otimista treina o cérebro para ser feliz;…

Nan Niland, de 72 anos, trabalhou como dentista por 40 anos. “Aquilo realmente definia quem eu era, provavelmente até demais”, afirma…
Atleta paraense vence torneio internacional de Jiu-Jitsu no Recife

Atleta paraense vence torneio internacional de Jiu-Jitsu no Recife

O atleta paraense Leonardo Gabriel da Silva Cruz conquistou o título de campeão no Recife International Open IBJJF 2026, na categoria…