• 10 de abril de 2026

O chocolate que amansou o bicho-papão em Manaus e fez o Bicola esquecer quem é

Reprodução/Silvio Garrido

O placar elástico doeu como um tapa de mãe. Sete a zero. O mesmo que dá tanto orgulho à torcida bicolor quando se lembra da goleada sobre o Remo, seu eterno rival, aplicada pelo Paysandu no eterno dia 22 de julho de 1945, no Baenão.

A história se repete como tragédia ou farsa, nos ensinou Marx, mas desta vez ela veio invertida e tem mais cara de zica, urucubaca, maldição ou pssica da velha Chica. Ou, para ser mais realista: negligência.

O Paysandu entrou em campo com um time alternativo que, na prática, pareceu mais a escalação da irresponsabilidade. Do outro lado, o Nacional-AM fez o que se espera de quem respeita o jogo: jogou sério. Resultado? Uma noite histórica para eles. E constrangedora para nós.

A crônica esportiva não perdoou, lá e cá. As manchetes tinham tom de festa e escárnio:

“Passeio histórico do Nacional humilha gigante paraense” “Nacional aplica goleada histórica de 7 a 0 no Paysandu e quebra tabu de 25 anos” “Em vexame histórico, Paysandu é humilhado pelo Nacional na Copa Norte” “Leão do Amazonas atropela o Paysandu”

Não há o que contestar. O problema não foi perder. O futebol admite derrotas, tropeços e até vacilos ocasionais. O problema foi a escolha deliberada de entrar em campo com um time que não honrava o peso da camisa.

O Paysandu não é um clube qualquer. Hoje está na terceira divisão, mas é o clube que já foi campeão brasileiro e atravessou fronteiras. Bateu o Peñarol e o Boca Juniors, dois gigantes sul-americanos, e já impôs ao Remo, seu arquirrival, esse mesmo placar de 7 a 0. É o Papão que cresceu sendo grande, que construiu identidade na raça e no peito. E aí, de repente, decide tratar um jogo oficial como se fosse pelada de quinta-feira.

A ironia é inevitável. Enquanto o torcedor ainda se recupera de traumas como o 7 a 1 da Seleção Brasileira contra a Alemanha, eis que surge um novo capítulo do “como não entrar para a história”. Só que desta vez não foi surpresa, nem apagão coletivo. Foi planejamento. Ou a falta dele.

Há uma diferença gritante entre poupar jogadores e poupar compromisso. O que se viu em Manaus foi o segundo caso. Um clube que deveria zelar por sua imagem resolveu apostar que a camisa jogaria sozinha. Não jogou.

Camisa não corre. Camisa não marca. Camisa não divide bola. Quem faz isso são os onze homens em campo. E desta vez, infelizmente, parecia faltar gente preparada para vestir aquele manto.

Depois dessa partida, sobra ao torcedor do Paysandu Sport Club, maior campeão paraense, com 51 títulos contra 48 do Remo, e detentor da maior média de público no Campeonato Paraense 2026, o gosto amargo da negligência. A derrota se dissolvendo na saliva de quem já foi um Papão guloso por vitórias honrosas.

Hoje o Papão amanheceu de ressaca inversa, lembrando que a história não se constrói só com glórias passadas. Ela se mantém com respeito no presente. Para evitar que se repita como vexame.

Égua, Papão! Me admiro de ti!

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