• 26 de dezembro de 2025

Mãe Carmen do Gantois, que morreu hoje aos 98 anos, foi líder espiritual reverenciada por artistas e considerada ícone da resistência religiosa no Brasil

Reprodução

Morreu, na manhã desta quinta-feira (26), a Mãe Carmen do Gantois, aos 98 anos, em Salvador. Uma das maiores lideranças religiosas do Brasil, ela era a filha de Mãe Menininha do Gantois – considerada um nome fundamental na história espiritual, cultural e política no estado da Bahia.

Sua casa, Ilê Axé Iya Omin Yamassê, o Gantois, segue como um território de resistência, fé e diálogo. Mãe Carmen morreu no dia de Oxalá – orixá da criação, da paz e da sabedoria. No candomblé, não se trata de coincidência: acredita-se que os filhos retornam no dia do seu orixá, completando o ciclo.

Com a sua morte, o Gantois passa a ser comandado por suas filhas, Mãe Angela e Mãe Neli, dando sequência a uma história passada de geração em geração.

Diversos famosos prestaram homenagem após o falecimento da sacerdotisa. Em publicação, a cantora Maria Bethânia, que tem forte ligação com o Terreiro do Gantois, deixou sua homenagem. “Profunda reverência”, disse.

A apresentadora e atriz Regina Casé também prestou sua homenagem. “Difícil se despedir dessa mãe, vovó, amiga de tantas risadas, beijinhos e carinhos sem ter fim. Como vai ser chegar na Bahia e não correr pra esse colo… Que vida plena!”.

Outros nomes de peso da cultura brasileira também mantinham relação próxima com a sacerdotisa e com o Terreiro do Gantois, seja por laços espirituais, de amizade ou de profunda admiração. O cantor e compositor Caetano Veloso, irmão de Maria Bethânia, sempre destacou publicamente a importância do Gantois e da tradição liderada por Mãe Menininha e, posteriormente, por Mãe Carmen, na formação cultural e espiritual da Bahia.

Artistas como Gilberto Gil e Gal Costa também frequentaram o terreiro ao longo dos anos, reconhecendo o Gantois como um espaço de acolhimento, proteção e afirmação da cultura afro-brasileira. O músico Dorival Caymmi, amigo histórico da casa, eternizou em sua obra a ligação com o candomblé e com as ialorixás do Gantois, ajudando a projetar essa espiritualidade para além dos limites da Bahia.

No campo da literatura e das artes visuais, Jorge Amado, Pierre Verger e Carybé integraram o círculo de afetos e respeito em torno do terreiro, contribuindo para registrar, difundir e legitimar o candomblé em um período marcado por preconceito e intolerância religiosa. Personalidades do esporte e da política, como Pelé, também buscaram aconselhamento e proteção espiritual no Gantois, reforçando o papel da casa como referência nacional.

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