- 22 de março de 2026
Moraes manda prender contador no Rio por suspeita de vazamento de dados de parentes de ministros do STF
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou a prisão de um contador, Washington Travassos de Azevedo, por suspeita de participar do vazamento de dados sigilosos envolvendo membros da Corte e outras autoridades. A prisão foi noticiada primeiro pela Folha de S. Paulo, neste sábado, e confirmada pelo GLOBO. Em nota, o STF afirmou que Washington foi apontado pela Polícia Federal como “um dos mandantes na cadeia de obtenção de dados fiscais protegidos por sigilo funcional”.
Documentos do governo do Rio levantados pelo GLOBO mostram que Washington foi preso no último dia 13, no presídio José Frederico Marques, em Benfica, Zona Norte da capital fluminense. Na quinta-feira, dia 19, a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária comunicou que o contador estava apto a ser transferido para o Complexo Penitenciário de Gericinó (Bangu), na Zona Oeste. A transferência, de acordo com a secretaria, ocorreu por abertura de vagas em Bangu.
Procurada, a defesa de Washington não quis se manifestar neste sábado.
A PF já havia deflagrado operação, no início de março, que cumpriu quatro mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão temporária contra suspeitos de vazamentos de dados. Uma das linhas de investigação é de que funcionários da Receita Federal teriam violado ilegalmente o sigilo fiscal de ministro do STF e seus parentes.
Já a prisão de Washington ocorreu uma semana depois dessa operação, e também foi realizada pela PF, que o conduziu para o sistema prisional do Rio. Segundo a Folha de S. Paulo, o contador admitiu ter acessado dados fiscais de forma ilegal.
Em nota, o STF afirmou que a prisão de Washington ocorreu no dia 14 — embora os documentos do governo do Rio apontem sua entrada no sistema prisional no dia 13 — e disse que a “audiência de custódia foi regularmente realizada no mesmo dia”.
O Supremo informou ainda que o contador foi apontado pela Procuradoria-Geral da República, em despacho que embasou a prisão, como um dos responsáveis pelo esquema de acesso de “dados constantes de DIRPF (Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física) de 1.819 contribuintes, entre os quais pessoas vinculadas a ministros do STF, ministros do TCU, deputados federais, ex-senadores da República, ex-governador, dirigentes de agências reguladoras, empresários e outras personalidades de notoriedade pública”.
A Corte disse ainda que o esquema envolveu “download das declarações” de Imposto de Renda dessas pessoas, que são informações protegidas por sigilo fiscal.
Washington está inscrito como contador no Rio, com registro ativo, de acordo com o Conselho Federal de Contabilidade. Além de uma firma de contabilidade na capital fluminense aberta em 2015, ele também abriu recentemente uma empresa em São Paulo.
Com informações de O Globo.