- 25 de março de 2026
Médico de Bolsonaro diz que ex-presidente tem ‘significativa melhora’ e deve ter alta na sexta-feira
O médico Brasil Ramos Caiado, da equipe de Jair Bolsonaro, afirmou que o ex-presidente apresenta “significativa melhora” e deve ter alta na sexta-feira (27), duas semanas após a internação no Hospital DF Star, em Brasília. Ele vai seguir com o tratamento de antibióticos até quinta-feira para conter a pneumonia.
De acordo com o médico, a alta só não vai ocorrer se houver “alguma intercorrência”. “Como o antibiótico termina o ciclo amanhã, nós estamos com programação para alta na sexta-feira. O raio-X de ontem a noite nos deixou muito tranquilos. No início da internação, já havíamos estimado um período de mais ou menos 14 dias, pela nossa experiência em quadros semelhantes. Há ainda uma lesão residual, que também já era esperada pela gravidade, no pulmão esquerdo”, disse Ramos Caiado.
Ramos Caiado acrescentou que Bolsonaro recebeu com “satisfação” a notícia de que poderia cumprir a pena em casa. De acordo com o médico, os episódios de soluço diminuíram: “No início da internação, ele percebeu a gravidade do problema, ficou bastante abatido. Com o processo de evolução melhora linear, progressiva ele foi voltando para uma situação normal. Mas a gente percebe que no ambiente que ele se encontra nos últimos três meses é muito difícil você voltar a ter um sistema emocional todo como era, é sempre um pouco mais para baixo. Recebeu com satisfação (a noticia de que vai para casa)”.
De acordo com o médico, a casa de Bolsonaro, em um condomínio em Brasília, já está passando por adaptações para recebê-lo.
“O ambiente domiciliar está em preparação pela família. Já foi providenciada uma cama mais adequada para o problema quase que central dele hoje que é o refluxo gastroesofágico . O ambiente residencial é sempre melhor, agora a decisão judicial nao compete a nós”, explicou o médico.
Ramos Caiado afirmou ainda que existe a possibilidade de após a recuperação da pneumonia Bolsonaro fazer uma cirurgia no ombro direito para corrigir uma lesão.
A decisão de Moraes
Na véspera, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), expediu o alvará de soltura para a prisão domiciliar de 90 dias.
Pedido semelhante de domiciliar já havia sido negado antes, mas foi reiterado pelos advogados após a internação hospitalar do ex-mandatário em função de uma pneumonia. A solicitação teve parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Na decisão, Moraes autorizou a concessão de prisão domiciliar humanitária temporária a Bolsonaro pelo prazo inicial de 90 dias, a contar da alta médica, com o objetivo de garantir a recuperação completa do quadro de broncopneumonia.
O magistrado estabeleceu que, ao fim desse período, a situação será reavaliada, inclusive com possibilidade de nova perícia médica, para verificar a necessidade de manutenção da medida. A domiciliar deverá ser cumprida na residência do ex-presidente, com imposição de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.
O ministro aponta que, devido à idade de Bolsonaro, ao histórico médico e ao quadro de saúde apresentado por ele, o ambiente domiciliar é mais adequado neste momento para sua recuperação. Segundo Moraes, o boletim médico confirmou o diagnóstico de broncopneumonia aspirativa, com base em exame de imagem, indicando que Bolsonaro está em estado geral estável, mas ainda necessita de tratamento com antibióticos e monitoramento clínico por até duas semanas, a depender da evolução.
Diante desse quadro, Moraes considerou que a situação excepcional justifica a concessão temporária da prisão domiciliar, como forma de garantir a recuperação completa, com possibilidade de reavaliação posterior, inclusive com nova perícia médica.
De acordo com a decisão, a recuperação completa pode levar de 45 a 90 dias e exige cuidados rigorosos — como repouso, controle de infecções, restrição de visitas, alimentação adequada e acompanhamento do tratamento — o que justificaria a permanência em casa nesse período.
Moraes determinou a suspensão de todas as visitas por 90 dias, durante o período de recuperação, para garantir um ambiente controlado e reduzir o risco de infecções.
Na decisão, o ministro do Supremo rejeitou o argumento de que a prisão agravaria o quadro de saúde de Bolsonaro, afirmando que a intercorrência que levou à internação dele no último dia 13 ocorreria em qualquer ambiente e que o atendimento não seria mais rápido em regime domiciliar.
“A intercorrência médica (“pneumonia bacteriana secundária a episódio de broncoaspiração pulmonar”) ocorreria independentemente do local de custódia (estabelecimento penitenciário/residência) e, dificilmente, o atendimento e remoção do custodiado seria mais célere e eficiente se estivesse em prisão domiciliar”, apontou.
Moraes também destacou que Bolsonaro tinha à disposição um “botão do pânico” com acesso 24 horas para acionar atendimento médico imediato, afirmando que o próprio custodiado poderia ter antecipado a assistência caso tivesse utilizado o recurso mais cedo. O ministro usou o argumento para reforçar que havia mecanismos eficazes de resposta rápida dentro do ambiente prisional.
Redação do Cidade 091 com informações de O Globo.