- 27 de fevereiro de 2026
Mangal das Garças registra nascimento inédito de garça-branca-grande
Um acontecimento raro e simbólico acaba de entrar para a história do Parque Zoobotânico Mangal das Garças: o nascimento do primeiro filhote de garça-branca-grande oficialmente registrado no espaço. O ninho foi identificado pela equipe técnica durante o monitoramento de rotina do parque. Instalado em uma árvore próxima ao Farol de Belém, um dos locais mais visitados do Mangal, o espaço passou a ser acompanhado com atenção redobrada, respeitando o ciclo natural da espécie e evitando qualquer interferência humana.
“O filhote nasceu há cerca de duas semanas e vem se desenvolvendo muito bem. Todo o acompanhamento é feito à distância, garantindo tranquilidade aos pais e ao ninho”, explica o biólogo Basílio Guerreiro.
O registro tem um significado especial, já que o próprio nome do parque remete à presença constante das garças na região. Embora sejam aves de vida livre, que utilizam diferentes ecossistemas da cidade e do entorno, o Mangal sempre foi um ponto tradicional de abrigo e alimentação. “O parque é uma área de intensa visitação de garças. Algumas já chegaram a se estabelecer aqui, mas nunca havíamos registrado a reprodução da espécie, devido às exigências específicas do ambiente. Esta é a primeira vez que acompanhamos uma reprodução bem-sucedida da garça-branca-grande no Mangal”, destaca Guerreiro.
Orientação ao público
Por estar localizado em uma área de circulação de visitantes, a equipe reforça a importância de não se aproximar da árvore onde o ninho está instalado e de respeitar as áreas gramadas delimitadas. Além das garças, outras espécies utilizam o solo do parque para a postura de ovos, e o simples ato de pisar na grama pode comprometer ninhos camuflados e imperceptíveis a olho nu.
Indicador de qualidade ambiental
Típica de áreas alagadas, rios e manguezais, a garça-branca-grande é considerada um importante indicador de qualidade ambiental. A reprodução da espécie no parque demonstra que o espaço oferece condições adequadas de segurança, alimentação e tranquilidade, fatores essenciais para a permanência e o sucesso reprodutivo das aves.
Atualmente, cerca de 200 garças visitam o Mangal diariamente. Alimentadas duas vezes ao dia, elas protagonizam um dos momentos mais aguardados pelo público: bandos de aves cruzam o céu em voos coletivos, formando um espetáculo natural que encanta os visitantes e reforça a conexão do parque com a fauna amazônica.
Curiosidades sobre a garça-branca-grande
A garça-branca-grande (Ardea alba, sinônimo Casmerodius albus) pertence à ordem Pelecaniformes e é conhecida pela elegância. Mede entre 65 e 104 centímetros de comprimento e pode pesar de 700 gramas a 1,7 quilo. A plumagem é totalmente branca, com pescoço longo que forma um “S” característico quando em repouso. O bico é longo, amarelo ou amarelo-alaranjado; as pernas e os dedos são pretos, e a íris, amarela.
O ninho tem formato de plataforma, construído com gravetos e caules de plantas aquáticas, podendo chegar a cerca de um metro de diâmetro. O casal reforça a estrutura até que os filhotes estejam prontos para voar, e o mesmo ninho pode ser reutilizado no ano seguinte, caso resista às intempéries. A fêmea põe de quatro a cinco ovos azulados, incubados pelo casal por aproximadamente 23 a 24 dias. Com cerca de 15 dias de vida, os filhotes já começam a se movimentar pelos galhos próximos ao ninho. Entre 35 e 40 dias, realizam os primeiros voos curtos.
A equipe técnica segue monitorando o desenvolvimento do filhote e orienta os visitantes a manterem distância do local, evitando ruídos e aproximações, para garantir o bem-estar das aves.
Serviço
A entrada é gratuita. O parque funciona de terça a domingo, das 8h às 18h, e fecha às segundas-feiras para manutenção.