• 18 de dezembro de 2025

Lula promete endurecer combate ao feminicídio e cobra oposição ao encerrar entrevista coletiva

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ao encerrar a entrevista coletiva com o balanço do ano, nesta quinta-feira (18), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o compromisso do governo federal com o enfrentamento ao feminicídio. Ele também aproveitou os minutos finais para enviar recados diretos à oposição, defendendo responsabilidade no debate público e união em torno de temas considerados urgentes para o país. A fala sobre o feminicídio, feita já em tom de conclusão, acabou ganhando protagonismo e deve repercutir tanto quanto outros tópicos iniciais da conversa.

Segundo o presidente, o combate à violência contra a mulher deve ser tratado como prioridade permanente do Estado, com ações integradas entre governo federal, estados e municípios. Lula reforçou que políticas públicas, prevenção e punição aos agressores precisam caminhar juntas e afirmou que não é aceitável que o país conviva com índices elevados de feminicídio. Ao falar do tema, ele também criticou o uso político de tragédias e disse que o enfrentamento da violência masculina exige seriedade e compromisso contínuo, não discursos oportunistas.

A preocupação do presidente é procedente e reflete um cenário grave no Brasil. Em 2024, foram registrados cerca de 1.450 feminicídios em todo o país, segundo o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher, do Ministério das Mulheres. O equivalente a quatro mulheres assassinadas por dia. O número indica que, mesmo com pequenas variações ano a ano, o número absoluto de casos segue alto e representa milhares de vidas perdidas por violência e comportamentos  machistas.

No Pará, há avanços no combate à violência contra as mulheres, mas ainda há muito o que fazer. Os registros revelam desafios: entre janeiro e novembro de 2025, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) contabilizou 56 ocorrências de feminicídio, um aumento de cerca de 19% em comparação com o mesmo período de 2024.

Se formos computar todas as categorias de violência contra a mulher registradas pela segurança pública no Pará, de janeiro a outubro de 2025, teremos 59.093 casos. Nessa contagem estão incluídas ameaças, lesões corporais, injúrias e outros crimes previstos na Lei Maria da Penha.

Divergências

Ainda no encerramento da entrevista, Lula direcionou críticas à oposição, afirmando que divergências fazem parte da democracia, mas que não podem se transformar em desinformação ou em obstáculos a políticas voltadas à proteção da população. Sem citar nomes, o presidente cobrou uma postura mais propositiva dos adversários e disse que o governo seguirá trabalhando mesmo diante de ataques, porque, segundo ele, “o país não pode parar por causa de disputa política”.

Durante a entrevista, outros temas centrais também foram abordados. Na área econômica, Lula voltou a defender a estratégia do governo para estimular o crescimento com inclusão social. Ele ressaltou a importância de manter o diálogo com o Congresso e com o setor produtivo para garantir estabilidade, geração de empregos e controle da inflação. O presidente afirmou que o objetivo é criar um ambiente de confiança, capaz de atrair investimentos sem abrir mão de políticas sociais.

Outro ponto destacado foi a agenda social. Lula reafirmou o compromisso com programas de combate à pobreza e à fome, dizendo que essas políticas não são gastos, mas investimentos no desenvolvimento do país. Ele também mencionou esforços para fortalecer áreas como educação e saúde, defendendo que a presença do Estado é fundamental para reduzir desigualdades históricas.

Ao final da coletiva, o presidente buscou deixar uma mensagem política clara: o governo pretende manter o foco em pautas estruturais, mesmo em um cenário de embates. Ao colocar o combate ao feminicídio como última e mais enfática declaração, Lula sinalizou que temas sociais continuarão no centro de sua agenda — e que, para ele, esse é um debate que deveria estar acima de qualquer oposição.

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