• 9 de março de 2026

Lula defende investimento em defesa: ‘Se a gente não se preparar, qualquer dia alguém invade’

O Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, durante visita do líder sul-africano Cyril Ramaphosa ao Brasil, que Brasil e África do Sul deveriam cooperar na área da defesa e que países que não investem em armamentos estão sujeitos a serem invadidos.

A declaração foi dada no Palácio do Planalto, em Brasília, ao lado do presidente sul-africano, que realiza visita oficial ao Brasil. Os dois líderes assinaram um acordo de cooperação na área do turismo e ressaltaram o potencial de elevar o fluxo comercial entre as duas nações, que há cerca de 20 anos gira em torno dos US$ 2,3 bilhões.

Lula voltou a dizer que a América do Sul é uma região de paz, mas afirmou ser importante o investimento em defesa.

— Se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente. Essa é uma coisa de que o Brasil tem necessidade, similar à necessidade da África do Sul, e que vamos juntar o nosso potencial e ver o que a gente pode construir juntos. Não precisamos comprar as armas do exterior; podemos produzir. Precisamos nos convencer de que ninguém vai ajudar a gente a não ser nós mesmos — afirmou Lula.

O presidente brasileiro ressaltou que “a defesa armada é uma coisa extremamente importante” para os dois países. A África do Sul já opera aviões de defesa da Embraer e, segundo Lula, o país tem potencial para ser um mercado para a indústria de defesa brasileira.

Apesar da fala de Lula, o Brasil é um dos países com o menor investimento do PIB em defesa: em torno de 1%, menos do que países vizinhos como a Colômbia (3,4%). A média global é de 2,4% e está em alta nos últimos anos em meio a grandes investimentos de potências como os Estados Unidos e a China.

Em seu discurso, Lula também falou de potenciais avanços na cooperação com a África do Sul em agricultura, energia, turismo e meio ambiente.

Ao citar o conflito no Oriente Médio, Lula diz esperar uma subida nos preços do petróleo, o que deve afetar também a área de alimentos. O presidente brasileiro defendeu um fortalecimento do comércio entre países emergentes.

— Não existe explicação política para que a gente não tenha um comércio bilateral acima de US$ 10 bilhões. Você (Ramaphosa) é um dos poucos presidentes que eu posso tratar de companheiro. A sua visita vai permitir que a gente repense a nossa atuação com a África do Sul. Temos muito que aprender e a ensinar — disse Lula em seu discurso.

Lula também defendeu que “a gente deixe de olhar para a Europa, olhar para os Estados Unidos, e olhe para quem está perto de nós, para quem se parece conosco, para quem tem os mesmos problemas”.

Em seu discurso, Ramaphosa afirmou que o fluxo comercial de seu país com o Brasil está muito aquém do desejado e que a delegação sul-africana, composta também por 20 empresários locais, tem o objetivo de aumentar os investimentos e a cooperação em pesquisas entre os países.

Sem mencionar Donald Trump e os Estados Unidos diretamente, o presidente sul-africano disse que as “tarifas injustas” praticadas pelo país podem incentivar novas rotas comerciais.

Cidade 091 com informações de O Globo

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