• 30 de novembro de 2025

Judicialização sem fim. A luta da vale para se manter impune.

foto: Reprodução/Redes Sociais

Editorial

A mineradora Vale vem protagonizando uma escalada de crimes ambientais que desencadearam diversas ações judiciais contra a empresa nos últimos anos. Por seu lado, a própria Vale busca o refúgio da judicialização sem fim para esconder suas culpas e manter-se impune.

Os processos vão desde denúncias de emissões irregulares de poluentes e efluentes líquidos, que prejudicaram a saúde das populações locais e destruíram fauna e flora, até processos criminais relacionados ao rompimento das barragens que causaram tragédias humanitárias e socioambientais profundas, como os desastres de Mariana e Brumadinho. 

Sem esquecer as acusações de manipulação e omissão, no intuito de ampliar a exploração minerária em áreas ambientalmente sensíveis. Ações que refletem um padrão recorrente de violações que comprometem o desenvolvimento sustentável e os direitos das comunidades atingidas.

Em meio a esse cenário crítico, a Vale tem investido pesada e estrategicamente em uma série de propagandas regiamente pagas, para tentar recuperar sua imagem pública, prática conhecida como greenwashing. A mineradora atua em um cerco rígido à mídia independente, buscando controlar a narrativa sobre seus impactos ambientais e sociais, enquanto divulga publicidade milionária que ressalta um suposto compromisso com a responsabilidade socioambiental – fictício, no mínimo. 

Investigações e denúncias revelam que tais compromissos são frequentemente superficiais, não acompanhados de mudanças estruturais reais nas práticas da empresa, contribuindo para a perpetuação dos danos ambientais e sociais.

Os processos judiciais em curso, incluindo audiências marcadas para 2026, relacionadas ao crime de Brumadinho, por exemplo, simbolizam uma tentativa de frear os abusos e garantir reparação às vítimas, embora a sensação de impunidade ainda prevaleça diante da morosidade do sistema legal. E quanto, afinal, vale uma vida? 

Paralelamente, a mobilização das comunidades afetadas e de grupos sociais – que veio à tona, inclusive recentemente, na COP30 – denuncia a violência institucional e os acordos de reparação insatisfatórios. Acertos que mais parecem apagar as responsabilidades do que promover justiça.

Esses elementos reforçam o amplo debate sobre a necessidade de mecanismos internacionais independentes, para monitorar e auditar os impactos da mineração, exigindo transparência e efetividade nas ações de reparação e prevenção. Soluções concretas, não perfumaria. 

Com todas as letras: falta um banho de moralização nos escaninhos mais recônditos da Vale e uma lavagem real na sua face mais cruel. A prática do greenwashing não apenas mascara os prejuízos ambientais e sociais reais, mas também contribui para a desinformação pública, dificultando a consciência crítica e a mobilização social necessária para a transformação do setor mineral. 

Essa estratégia midiática corporativa decepciona não só as comunidades diretamente afetadas, mas também a sociedade em geral, que demanda uma mineração responsável e alinhada com os compromissos ambientais globais, diante da crise climática e da perda da biodiversidade.

Diante da escalada de crimes, da judicialização massiva e do cerco da Vale à mídia, torna-se urgente a necessidade de maior pressão social, transparência e controle sobre as atividades mineradoras no Brasil. É preciso cuidado para não dar à raposa a missão de vigiar o galinheiro, como acontece quando a influência da Vale penetra até nas instituições de controle.

O país enfrenta um momento decisivo para garantir que empresas como a Vale não possam continuar explorando ecossistemas e territórios humanos sem a devida responsabilidade, e que sua imagem pública não possa ser limpa artificialmente por meio de estratégias de greenwashing que negam a gravidade dos impactos causados. 

Enquanto a Vale dá um jeito de colorir seus rejeitos tóxicos com verniz verde, e muita cara-de-pau, vemos águas agonizando, comunidades chorando e a Terra sangrando sob o peso da ganância impune. Na Amazônia de hoje, como resultado dessa ganância, vemos povos originários brandindo revolta com o olhar lacrimoso.

A tristeza se instalando na vida de uma gente antes alegre – como um rio, um bicho, um galo, ou um bando de pardais, na definição do poeta. No lugar disso, há o circo do greenwashing. E em vez de poesia, sombras de sol a sol.

É hora de rasgar a máscara, calar as propagandas mentirosas e cobrar justiça real, não esmolas judiciais. No final das contas, o que interessa à Vale são os lucros, estejam ou não sujos de lama. Isso não vale para nós, seres humanos, guardiães de um planeta que não  perdoa predadores. Um planeta como gostamos de ver – com todos os seus galos, noites e quintais.

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