- 19 de fevereiro de 2026
Jardins de chuva começam a ser implantados em Belém para reduzir alagamentos
Belém começou a receber jardins de chuva em diferentes pontos da área urbana como parte de um projeto de drenagem sustentável baseado em soluções que utilizam a própria natureza para enfrentar problemas históricos de alagamento. A proposta segue o conceito de “cidade-esponja”, que busca aumentar a capacidade do solo de absorver e infiltrar a água da chuva, reduzindo o volume que escoa pelas ruas e sobrecarrega os canais.
Os jardins de chuva são implantados em áreas antes impermeabilizadas, como trechos de calçadas e vias. Nesses espaços, a água da chuva é direcionada para canteiros rebaixados, onde infiltra gradualmente no solo. O sistema ajuda a diminuir o escoamento superficial, uma das principais causas de alagamentos, e ainda contribui para filtrar sedimentos e poluentes antes que a água alcance os cursos urbanos.
Além dos jardins, o projeto inclui outras estruturas de drenagem verde, como canteiros pluviais e biovaletas, que conduzem e filtram a água; bacias de retenção, que armazenam temporariamente grandes volumes durante chuvas intensas e liberam a água de forma lenta; bacias de infiltração, responsáveis por devolver a água ao solo e auxiliar na recarga do lençol freático; e poços de infiltração, indicados para áreas com espaço reduzido.
As intervenções estão sendo realizadas na Rua dos Mundurucus, esquina com a Travessa Quintino Bocaiúva; na Avenida Marechal Hermes, ao lado do Porto Futuro; na Travessa Rui Barbosa, esquina com a Avenida Gentil Bittencourt, próximo ao Centur; e na Travessa Quintino Bocaiúva com a Avenida Conselheiro Furtado.
Especialistas envolvidos na iniciativa destacam que o modelo transforma a água da chuva em recurso a ser manejado, e não apenas em problema. A expectativa é reduzir pontos críticos de alagamento, melhorar a qualidade da água nos canais urbanos, ampliar áreas verdes e contribuir para o conforto térmico.

Entre as espécies plantadas estão helicônia, cana-da-índia, tajá, inhame, petúnias selvagens e grama-amendoim, vegetações adaptadas tanto a períodos de seca quanto de maior umidade, favorecendo também o aumento da biodiversidade.
O projeto envolve diferentes órgãos responsáveis por planejamento urbano, obras, limpeza e manutenção das áreas revitalizadas. As estruturas utilizam substratos drenantes, entradas e saídas de água protegidas por pedras e cobertura vegetal para proteger o solo. Quando necessário, os jardins são integrados ao sistema de drenagem já existente, mas não substituem obras estruturais de saneamento.
A proposta segue diretrizes técnicas voltadas à drenagem urbana sustentável e pode ser replicada em outros bairros, ampliando a chamada infraestrutura verde da capital. Inspirado no conceito desenvolvido pelo arquiteto chinês Kongjian Yu, o modelo de “cidade-esponja” combina áreas permeáveis, parques alagáveis e outras soluções capazes de reter temporariamente a água da chuva, reduzindo impactos em períodos de precipitação intensa sem comprometer o uso dos espaços em dias secos.