• 27 de dezembro de 2025

Israel se torna o primeiro país a reconhecer a Somalilândia

Reprodução / LUIS TATO

Israel anunciou nesta sexta-feira (26) o reconhecimento da Somalilândia, território que se separou da Somália e que, até então, não era reconhecido por nenhum país. Com a decisão, Israel torna-se o primeiro Estado a considerar oficialmente a região como um país soberano.

Com área aproximada à do Uruguai, cerca de 175 mil km², a Somalilândia está localizada no extremo nordeste do Chifre da África. Em comunicado, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o território passa a ser considerado “um Estado independente e soberano”.

O presidente da Somalilândia, Abdirahman Mohamed Abdulahi, conhecido como “Irro”, celebrou o anúncio e classificou o reconhecimento como um “momento histórico”. Na capital Hargeisa, centenas de pessoas foram às ruas durante a noite, empunhando bandeiras e gritando “Vitória!”, segundo testemunhas.

A Somalilândia declarou independência em 1991, após o colapso do regime militar do ditador Siad Barre, período que marcou o início de décadas de instabilidade na Somália. Desde então, o território opera de forma autônoma e é frequentemente citado por analistas como uma região relativamente estável, em contraste com a Somália, marcada por conflitos políticos e pela atuação de grupos insurgentes islamistas.

O governo somali reagiu com veemência ao anúncio, classificando a decisão de Israel como um “ataque deliberado à sua soberania” e alertando que a medida pode agravar as tensões políticas e de segurança na região.

Nos Estados Unidos, o ex-presidente Donald Trump afirmou, em entrevista ao New York Post publicada nesta sexta-feira, que se opõe ao reconhecimento da Somalilândia por Washington, apesar da posição adotada por Israel. Questionado sobre o tema, Trump respondeu de forma direta: “Não”, acrescentando em tom irônico: “Alguém sabe realmente o que é a Somalilândia?”

Antes da decisão israelense, a Somalilândia permanecia em isolamento político e econômico, apesar de sua localização estratégica na entrada do estreito de Bab al-Mandeb — uma das rotas comerciais mais movimentadas do mundo, que liga o Oceano Índico ao Canal de Suez. Analistas avaliam que a aproximação pode permitir a Israel ampliar seu acesso ao Mar Vermelho.

O anúncio também provocou críticas de diversos atores internacionais. Egito, Turquia e Djibuti, além de organizações multilaterais como o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), a Liga Árabe e a União Africana (UA), manifestaram reprovação à medida.

Em nota, a União Africana alertou para o “risco de se criar um precedente perigoso, com consequências significativas para a paz e a estabilidade em todo o continente”.

A decisão ocorre em meio a um contexto de crescente pressão regional sobre Israel, intensificada após o início da guerra em Gaza, deflagrada pelo ataque do grupo Hamas em 7 de outubro de 2023. Desde então, Israel passou a enfrentar tensões em múltiplas frentes, incluindo confrontos indiretos com os rebeldes huthis do Iêmen, cujo litoral fica em frente à Somalilândia.

Fonte: O Globo

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