• 5 de abril de 2026

Irã diz ter abatido três aeronaves dos EUA em operação de resgate de piloto e contradiz Trump sobre sucesso da ação: ‘Fracassou completamente’

Reprodução / Redes Sociais

As forças armadas do Irã afirmaram neste domingo que três aeronaves militares dos Estados Unidos foram abatidas durante a operação de resgate de um piloto americano em seu território. A mídia estatal iraniana divulgou imagens de destroços queimados em uma área desértica, de onde ainda saía fumaça.

O Irã também contradisse o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o sucesso da ação, dizendo que a operação de resgate “fracassou completamente”.

“A suposta operação de resgate do exército americano, planejada como uma missão de engano e fuga em um aeroporto abandonado no sul de Isfahan sob o pretexto de recuperar o piloto de um avião abatido, foi completamente frustrada”, declarou Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do comando central militar iraniano.

O episódio ocorre após Trump anunciar que o segundo piloto abatido no Irã havia sido resgatado “são e salvo”, em uma operação que classificou como uma das “mais audaciosas da história” do país. Horas depois do comunicado do Irã que o contradisse, o presidente americano informou que o aviador resgatado está “gravemente ferido”.

A aeronave americana, um caça-bombardeiro F-15E, havia caído no sudoeste do Irã na sexta-feira. O exército iraniano afirma ter abatido o aparelho, cujos dois ocupantes se ejetaram em pleno voo.

O primeiro piloto foi resgatado pouco depois por forças especiais americanas. O segundo permaneceu desaparecido por mais tempo, enquanto autoridades iranianas chegaram a prometer recompensa por sua captura.

“NÓS O TEMOS! Meus compatriotas americanos, nas últimas horas as Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram uma das operações de busca e resgate mais audaciosas da história do nosso país, para um de nossos incríveis membros da tripulação, que também é um coronel muito respeitado”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social. “Tenho grande satisfação em informar que agora está SÃO E SALVO”, acrescentou.

Conflito se amplia e atinge países do Golfo

A guerra, iniciada em 28 de fevereiro com bombardeios israelo-americanos contra o Irã, entrou no segundo mês e já provoca impacto na economia global. O fechamento do estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — elevou a tensão nos mercados.

No domingo, países do Golfo voltaram a relatar ataques. Nos Emirados Árabes Unidos, houve incêndio em uma instalação petroquímica após interceptação de disparos iranianos.

No Bahrein, um drone iraniano atingiu um depósito da companhia petrolífera estatal. O Kuwait informou danos em usinas de energia, instalações de dessalinização e um complexo ministerial.

O exército iraniano afirmou ter atacado alvos militares no Kuwait e instalações industriais nos Emirados, que, segundo Teerã, estariam ligadas à produção de equipamentos militares.

Mísseis contra Israel e nova frente no Líbano

Alertas voltaram a ser acionados em Israel após lançamento de mísseis iranianos. No Líbano, o Hezbollah afirmou ter disparado um míssil de cruzeiro contra um navio de guerra israelense, no primeiro ataque desse tipo desde o início do conflito. O exército israelense disse “não ter conhecimento” do incidente.

Os bombardeios israelenses no território libanês já deixaram mais de 1.400 mortos desde o início de março, segundo autoridades locais.

‘Ultimato”

No sábado, Trump deu ao Irã um ultimato de 48 horas para aceitar um acordo que permita a reabertura do estreito de Ormuz. Caso contrário, prometeu desencadear o “inferno” sobre o país.

“O tempo está se esgotando: 48 horas antes de que todo o inferno se desencadeie sobre eles”, afirmou.

Autoridades iranianas reagiram. O general Ali Abdollahi Aliabadi classificou a ameaça como “uma ação impotente, nervosa, desequilibrada e estúpida” e disse que “as portas do inferno se abrirão para eles”.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abás Araqchi, manteve conversas com representantes do Paquistão e do Egito, que tentam mediar uma saída diplomática para o conflito.

Em meio à guerra, o Irã executou dois homens acusados de atuar em nome de Israel e dos Estados Unidos durante protestos recentes, segundo o Judiciário.

A capital Teerã continuava sob bombardeio. Um jornalista da AFP relatou uma espessa camada de fumaça cobrindo o céu da cidade.

Redação Cidade 091 com informações de O Globo.

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