• 21 de janeiro de 2026

Iniciativa distribui kits de higiene e saúde menstrual a mulheres em situação de vulnerabilidade em Belém

Reprodução: Redes sociais

Viver nas ruas de Belém significa enfrentar diariamente a fome, a insegurança e a ausência de condições mínimas de higiene. Para mulheres e pessoas que menstruam em situação de rua, o desafio se intensifica durante o período menstrual, quando a falta de absorventes, banheiros e água encanada compromete a saúde, a dignidade e o bem-estar.

Durante a menstruação, a rotina se torna ainda mais difícil, diante da escassez de itens básicos de higiene e da inexistência de locais adequados para cuidados pessoais.

Essa é a realidade de mais de duas mil pessoas em situação de rua em Belém, segundo dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas para Pessoas em Situação de Rua, com base no Cadastro Único (CadÚnico). Entre esse público, a falta de acesso regular a produtos de higiene leva muitas mulheres e pessoas que menstruam a recorrerem a soluções improvisadas para lidar com o período menstrual.

Sem absorventes, banheiros públicos ou água potável disponíveis de forma contínua, o cuidado diário passa a depender do que é encontrado no momento, o que aumenta o risco de infecções, problemas de saúde e constrangimentos sociais.

Diante desse cenário, iniciativas da sociedade civil buscam minimizar os impactos da falta de acesso à higiene em Belém. Uma delas é o projeto Mulheres Por Elas (MPE), criado em 2019, que atua no atendimento a pessoas que menstruam e vivem em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

A organização reúne cerca de 28 voluntários e tem como principal ação a distribuição de kits de higiene pessoal. Os kits incluem absorventes, calcinhas, sabonete, shampoo, escova e pasta de dente, papel higiênico, desodorante e preservativos.

A iniciativa surgiu a partir da percepção de que a falta de higiene afeta diretamente a dignidade, a saúde e a forma como essas pessoas são tratadas pela sociedade. “A higiene não é apenas uma questão de conforto, mas de respeito e cuidado com a vida”, destaca o projeto.

O projeto também adota o termo “pessoas que menstruam” como forma de reconhecer que a menstruação não é uma experiência exclusiva de mulheres cisgênero, incluindo homens trans e pessoas não binárias, ampliando o acesso a direitos e políticas de cuidado.

Além da entrega dos kits, o Mulheres Por Elas promove oficinas e ações educativas para fortalecer a autonomia e o acesso à informação desse público. As demandas, segundo os voluntários, variam conforme o território: enquanto nas ruas a principal necessidade é a higiene, nas periferias surgem outras carências socioeconômicas.

Mesmo enfrentando resistência de parte dos doadores, a iniciativa se mantém ativa por meio da solidariedade de voluntários e de pessoas que contribuem para garantir itens essenciais à dignidade de quem vive em situação de vulnerabilidade em Belém.

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*Com informações de G1 PA.

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