• 24 de novembro de 2025

Guto Ferreira celebra a força da fé paraense e projeta Série A no Remo: ‘Coisas grandes exigem estrutura’

Imagem/Ascom Remo

Na coletiva pós-jogo que confirmou o acesso do Remo à Série A, o técnico Guto Ferreira fez uma análise que priorizou a dimensão cultural e a gestão, minimizando o aspecto tático em favor da força do ambiente. O treinador destacou a conexão entre o time e a identidade paraense como o fator decisivo para o sucesso da campanha.

O treinador azulino classificou a força do povo paraense, ligada ao Círio de Nazaré, como um elemento que transcende a lógica esportiva, impactando diretamente o desempenho da equipe.

“Eu sou um cara católico, eu sou um cara de fé, mas o que vi aqui dentro do estado do Pará supera tudo. É uma coisa muito forte, é característico. Eu não sei dizer hoje se o Círio é essa força ou se essa força é o Círio. Ela se une dentro do povo paraense. O povo paraense jamais se entrega”, afirmou o técnico.

Guto afirmou que o sucesso de um treinador em Belém passa obrigatoriamente pela assimilação e valorização dessa cultura. “Se você não entender essa parte cultural, não tem como você ser líder de um lugar onde você desconhece a cultura e não valoriza ela. O que fiz foi isso. Foi aprender. Não é uma coisa falsa. É um sentimento de dentro. Eu aprendi. Aonde eu aprendi a gostar, eu tive sucesso.”

Méritos compartilhados e a emoção da arquibancada

Guto Ferreira fez questão de situar sua participação na engrenagem do acesso, atribuindo o mérito principal aos atletas e à estrutura de apoio do clube. “O Guto só foi uma peça da engrenagem. A força da engrenagem foram principalmente os jogadores ali no campo. Mas o suporte foi muita gente por trás. Cada um tem o seu tijolinho nessa construção.”

O alerta estrutural para a elite

Na parte mais pragmática da coletiva, Guto Ferreira direcionou um claro aviso à administração do Leão Azul sobre os desafios da Série A, condicionando a permanência na elite à evolução estrutural e de mentalidade.

“Caminhando no nível que se está chegando, que se está brigando, precisa estar estruturado, altamente organizado e precisa pensar grande. Senão, da mesma maneira que sobe e desce, escapa e vai tudo embora”, disse Guto.

O técnico ponderou que “coisas grandes” não dependem exclusivamente de orçamentos vultosos, como os de grandes clubes do Sudeste, mas sim de uma gestão eficiente e estratégica.

“Coisas grandes não precisam necessariamente ter investimentos no nível de Flamengo, de Corinthians, até porque é impossível. Mas coisas grandes é pensar grande, se construindo, se estruturando e entendendo o processo do que é o futebol”, destacou.

O treinador concluiu que apenas a combinação da força da torcida com o entendimento e a aplicação de “coisas grandes” no planejamento pode garantir anos de sucesso na Série A, alertando para a possibilidade de retrocesso caso a lição não seja aprendida.

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