• 22 de janeiro de 2026

Funcionário de associação indígena é alvo de tentativa de homicídio na Terra Apyterewa

Reprodução / Redes Sociais

Um trabalhador ligado à Associação Indígena Tato’a, do povo Parakanã, escapou com vida após sofrer um ataque armado dentro da Terra Indígena Apyterewa, no sudeste do Pará, no final da tarde de quarta-feira (21). Ele ficou ferido e conseguiu buscar socorro após fugir do local.

Segundo informações repassadas por indígenas da região, o homem conduzia um veículo da associação quando retornava de uma base de apoio, depois de transportar famílias de uma comunidade indígena. No trajeto, o carro foi alvo de diversos disparos, cerca de 15 tiros, e acabou completamente inutilizado.

Há suspeita de que a ação tenha sido planejada. Moradores relatam que integrantes do povo Parakanã vinham recebendo ameaças nos dias anteriores, indicando a possibilidade de um ataque com armas de fogo.

Após o veículo ser atingido, o motorista abandonou o carro e correu pela área de mata até chegar a uma aldeia, onde conseguiu ajuda. O episódio foi comunicado a instituições responsáveis pela segurança e proteção do território.

Mesmo após ações do governo federal para retirada de invasores, a Terra Indígena Apyterewa segue marcada por conflitos, invasões constantes e episódios de violência. Em dezembro de 2025, durante uma operação no local, um vaqueiro contratado pelo Ibama foi morto a tiros. Considerada uma das áreas indígenas mais pressionadas da Amazônia, a Apyterewa, onde vive o povo Parakanã, também carrega um histórico grave de degradação ambiental e liderou por quatro anos seguidos o ranking de desmatamento entre terras indígenas no Brasil, com perda de floresta superior à área da cidade de Fortaleza, segundo o Imazon.

A Federação dos Povos Indígenas do Estado do Pará (FEPIPA) lamentou o ocorrido e cobrou a responsabilização dos criminosos envolvidos no ataque. “O ataque constitui tentativa de homicídio e configura grave violação à integridade física aos Parakanã e seus colaboradores, além de evidenciar o agravamento do ambiente de risco enfrentado na fase de pós-desintrusão. A Associação Indígena Tato’a cobra com veemência pela responsabilização dos autores e adoção de medidas urgentes de proteção ao território e às pessoas sob ameaça”, declarou em uma rede social.

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