- 19 de fevereiro de 2026
Festival da Catraia celebra 46 anos de tradição e resistência em Alter do Chão
A vila de Alter do Chão, em Santarém, recebe, em fevereiro, o Festival da Catraia, evento que comemora os 46 anos da Associação dos Catraieiros de Alter do Chão, organização responsável por manter viva uma das mais tradicionais formas de transporte fluvial da região do Rio Tapajós. Em dois dias de programação, 22 e 28 de fevereiro, o festival reúne corrida de catraias, homenagens aos mestres e mestras do rio, torneios de futebol, shows musicais e atividades culturais abertas ao público, celebrando o trabalho cotidiano de homens e mulheres que garantem a travessia entre as margens da Ilha do Amor e Lago Verde.

Criada oficialmente em 22 de fevereiro de 1980, a associação nasceu da prática espontânea de canoeiros que atravessavam moradores e visitantes muito antes da formalização da entidade. A condução era feita em catraias de madeira, com remos artesanais esculpidos a partir de espécies como tapiririca, marupá e envira-preta, saberes transmitidos entre gerações.
Ao longo das décadas, a atividade se consolidou como fonte de renda sustentável, mobilidade e integração social, tornando-se também exemplo de empreendedorismo popular e turismo de base comunitária, com baixo impacto ambiental e forte vínculo territorial. Para os catraieiros, a embarcação vai além do transporte: é memória, pertencimento e identidade cultural.
“Começou como brincadeira de menino na beira do rio. A gente atravessava as pessoas por ajuda, depois virou trabalho. Hoje é o sustento de muitas famílias e parte da nossa história. A catraia é a nossa vida.”, Gregório de Faria, catraieiro e um dos associados mais antigos da Catraia. Atualmente, a associação reúne cerca de 100 associados e dezenas de trabalhadores, formando uma rede comunitária que garante o transporte diário de passageiros e o funcionamento da economia local. Além do serviço de travessia, a entidade atua de forma autônoma na definição de regras coletivas, manutenção das embarcações e realização de ações comunitárias, como mutirões de limpeza da praia e apoio a atividades sociais.
O modelo de organização, baseado na cooperação e no cuidado com o território, levou ao reconhecimento dos catraieiros, em 2022, como Patrimônio Cultural de Natureza Material e Imaterial do município. Apesar disso, o grupo ainda enfrenta desafios como a falta de políticas públicas voltadas ao fortalecimento do turismo de base comunitária e à melhoria das condições de trabalho.
De Festa para Festival
O Festival da Catraia surge, nesse contexto, como estratégia de valorização cultural e fortalecimento institucional, com apoio do Instituto Regatão Amazônia, por meio das mentorias do Programa de Atiçamento Cultural. “O festival nasce para reconhecer os catraieiros como trabalhadores da cultura e guardiões do território. Apoiar essa associação é fortalecer uma economia comunitária viva, que cuida do rio, gera renda local e mantém saberes tradicionais em movimento.” Enfatiza Marlena Soares, coordenadora Executiva do Instituto Regatão Amazônia.
PROGRAMAÇÃO GERAL
22/02 – Terminal dos Catraieiros (Beira do Rio)
07h – Café da manhã
08h às 10h – Corrida de catraias
• Masculino: 500m
• Feminino: 300m
10h – Premiação
10h30 – Homenagens e encerramento
28/02 – Sede da Associação dos Catraieiros
(Rua Pôr do Sol, nº 3 – Bairro Perfu – Alter do Chão)
07h – Alvorada e salva de fogos
08h – Parabéns à associação e café da manhã
16h – Início da festa e torneio de duplas/pênaltis
18h – Luso Brasil x Catraia (até 35 anos)
19h – Santo Antônio x Catraia (Master 35+)
20h – Flactraia x Vascatraia (feminino)