- 8 de dezembro de 2025
Familiares denunciam negligência médica após morte de jovem em hospital de Vigia; caso é investigado pela polícia
A família de Keise Rafaele dos Reis Moreira, de 23 anos, registrou um boletim de ocorrência após a jovem morrer no Hospital Municipal Raimundo Vasconcelos, em Vigia, no nordeste do Pará. A morte, ocorrida no domingo (7), gerou protestos e mobilizou moradores da cidade.
Em depoimento à Polícia Civil, a mãe informou que Keise passou mal em casa e foi levada ao hospital pelo companheiro, identificado como Vinícius. A jovem teria chegado consciente, apenas reclamando de fortes dores abdominais do lado direito e apresentando pressão baixa, condição que, segundo a família, já fazia parte de seu histórico clínico.
A mãe da jovem relata que Keise recebeu diversas medicações, entre elas cloridrato de tramadol e morfina, mas afirma que não foi informada sobre todos os fármacos administrados. Segundo o boletim, mesmo após receber os medicamentos, o estado de saúde da jovem teria se agravado. Ela foi encaminhada para a sala vermelha, onde permaneceu em observação até morrer, por volta do meio-dia.
O tio da vítima, Alex Rodrigo Sousa dos Reis, acusa a equipe médica de não realizar uma avaliação adequada antes da administração dos medicamentos.
“Os médicos não perguntaram se ela tinha pressão baixa. Ela já estava debilitada. Aplicaram dois remédios muito fortes e a pressão dela zerou. Ela veio a óbito”, declarou.
A família também denuncia demora na comunicação por parte da unidade de saúde. “Ela morreu cedo, e só foram avisar quase uma hora da tarde. Funcionários comentavam que ela tinha morrido muito antes”, afirmou Alex. Segundo ele, outros moradores relataram episódios semelhantes no hospital.
Em nota, a Prefeitura de Vigia informou que abriu uma apuração imediata sobre o atendimento prestado à paciente e que todos os profissionais envolvidos foram chamados para prestar esclarecimentos.
A morte de Keise provocou revolta na comunidade. Familiares e amigos bloquearam a PA-140 na noite de domingo, queimando pneus e impedindo a passagem de veículos em protesto. O corpo da jovem segue no Instituto Médico-Legal (IML) de Castanhal, onde passará por exames que devem indicar a causa da morte. O caso continua sob investigação da Polícia Civil.