• 24 de março de 2026

Faculdades presenciais perdem espaço fora da capital e EAD já tem 50% dos alunos no Pará

Reprodução: Jorge William / Agência O Globo

O ensino superior no Pará vive uma mudança silenciosa, mas profunda: o crescimento acelerado da educação a distância (EAD) já supera o modelo tradicional e começa a impactar diretamente a sobrevivência de faculdades presenciais, sobretudo fora de Belém.

Dados do Mapa do Ensino Superior, produzido pelo Semesp, mostram que 49,1% dos concluintes de graduação no estado em 2023 vieram do EAD, número que se aproxima da maioria absoluta e confirma uma mudança estrutural. O Semesp é o Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior, uma entidade representativa que reúne e apoia as instituições de ensino privadas no Brasil.

Outros levantamentos indicam que o fenômeno já ultrapassou esse patamar: 55,4% dos estudantes do ensino superior paraense estariam matriculados em cursos a distância, de acordo com reportagem da TV Globo. O cenário acompanha a tendência nacional apontada nessa reportagem. A expansão de centros universitários e do ensino remoto tem reduzido a oferta presencial, especialmente em regiões afastadas das capitais, uma dinâmica que, no Pará, ganha contornos ainda mais intensos.

Polos digitais

O Pará possui dimensões continentais e desafios históricos de acesso à educação. Nesse contexto, o EAD surge como solução logística, mas também como fator de concentração.

Historicamente, o estado chegou a registrar 285 mil matrículas no ensino superior, sendo 130 mil já na modalidade EAD, de acordo com o Semesc. O crescimento foi vertiginoso: entre 2009 e 2019, o ensino a distância avançou 310%, puxado principalmente pela rede privada.

Hoje, o modelo se consolida com características marcantes. Há o predomínio do setor privado, com cerca de 74,7% das matrículas em instituições partticulares. O interior é dependente do digital, com polos de ensino a distância substituindo a presença física de faculdades. Na prática, municípios do interior passaram a ter acesso ao ensino superior sem precisar de campus, mas também sem a mesma estrutura acadêmica, laboratórios ou convivência universitária.

Mesmo com a expansão, o Pará ainda enfrenta dificuldades de acesso ao ensino superior. A taxa de escolarização líquida, que mede a presença de jovens de 18 a 24 anos na universidade, é de apenas 12,6%. Está bem abaixo da média nacional de 18,1%.

O avanço do EAD também tem impacto no perfil dos cursos ofertados. No Pará, há forte concentração em áreas de menor custo operacional. Pedagogia lidera no EAD, com mais de 34 mil matrículas. No presencial, cursos como Direito e Enfermagem ainda são os mais procurados.

Esse padrão levanta questionamentos sobre a diversidade da formação acadêmica no estado e sua conexão com as demandas econômicas regionais, especialmente em áreas estratégicas como engenharia, tecnologia e meio ambiente.

A expansão do EAD e desse perfil também levanta dúvidas sobre o papel do ensino superior no desenvolvimento regional, especialmente em um estado com desafios sociais e logísticos como o Pará. A tendência é de continuidade do crescimento do ensino a distância. O modelo já é dominante entre novos ingressantes e deve se consolidar como principal porta de entrada para o ensino superior no estado.

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