- 4 de novembro de 2025
Exposição “Clima: o Novo Anormal” chega a Belém e reforça protagonismo da Amazônia na agenda global da COP30
Em meio aos preparativos para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), Belém recebe a exposição “Clima: o Novo Anormal”, uma mostra que convida o público a refletir sobre a crise climática e o papel da Amazônia no futuro do planeta. A iniciativa é resultado de uma parceria entre Brasil e França e representa a versão brasileira da mostra “Urgence Climatique”, originalmente concebida pela Universcience, instituição pública francesa dedicada à divulgação científica e tecnológica, exibida na Cité des Sciences et de l’Industrie, em Paris.
No Brasil, a exposição tem direção e roteiro de Claudio Angelo e Fernando Meirelles, com apoio técnico-científico do Observatório do Clima e coordenação de produção de Patrícia Galvão. Em Belém, o evento tem a realização do Centro Cultural Banco da Amazônia, além de patrocínios via Lei Rouanet das empresas Sanofi e Netshoes.
A coordenadora de produção Patrícia Galvão ressalta o simbolismo da chegada da mostra à capital paraense.
“Belém é hoje uma das cidades mais importantes do planeta quando o assunto é clima. Trazer essa exposição para cá é reconhecer o protagonismo da Amazônia e a urgência de pensar o futuro a partir deste território”, afirmou.
Ela explica que o público vivenciará “uma experiência sensorial, crítica e emocional, com dados, imagens e sons que nos fazem ver o que muitas vezes ainda não conseguimos sentir”.
A versão para Belém inclui conteúdos específicos sobre a Amazônia e a capital paraense, com dados produzidos em parceria com o Observatório do Clima e outros especialistas. O público poderá visualizar o desmatamento em timelapse do MapBiomas, além de acompanhar informações sobre a preservação do Xingu e os impactos da ocupação humana nos biomas brasileiros.
Com mais de 30 monitores, painéis e dispositivos multimídia, a mostra oferece uma viagem visual pelos dados do planeta. Um globo digital suspenso, alimentado por quatro projetores, exibe o aumento das temperaturas e o avanço do nível dos oceanos sob diferentes cenários de aquecimento (1,5°C, 2°C e 3°C), permitindo interação direta do visitante.
Outro destaque são as “climate stripes”, faixas coloridas que traduzem graficamente 150 anos de variação de temperatura em capitais brasileiras, entre elas, Belém.
“É impossível olhar essas cores e não compreender o que está acontecendo”, comenta Patrícia Galvão.
A exposição também apresenta uma mesa interativa de hábitos alimentares, que mostra a pegada de carbono de diferentes alimentos.
“Quando falamos de clima, também falamos de alimentação. A carne vermelha é a grande emissora, enquanto os alimentos da floresta, como o peixe e a castanha, têm impacto ambiental muito menor. A Amazônia oferece alternativas concretas para um futuro sustentável”, acrescenta a produtora.
Entre os conteúdos audiovisuais, estão os filmes “Efeito Estufa”, de Fernando Meirelles e Joaquim Castro, e “Amazônia Viva”, de Estêvão Ciavatta, que apresenta um olhar sensível sobre os igarapés do Tapajós e a resistência da floresta.