- 26 de dezembro de 2025
Ex-diretor da PRF é preso no Paraguai tentando fugir do Brasil e com documento falso
Preso nesta sexta-feira (26) no Paraguai, o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 24 anos e 6 meses de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Ele foi detido ao tentar embarcar para El Salvador com documento falso e deve ser entregue às autoridades brasileiras após audiência de custódia.
Segundo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, Vasques foi preso durante a madrugada no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção. A prisão ocorreu após decreto de prisão preventiva expedido pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. A expectativa é que o ex-diretor da PRF seja recambiado ao Brasil ainda nesta sexta-feira.
A condenação foi proferida neste mês pelo Supremo, que considerou Silvinei Vasques integrante do chamado “núcleo 2” da organização criminosa investigada por articular a tentativa de ruptura institucional. De acordo com a decisão, ele atuou para monitorar autoridades e interferir no processo eleitoral, especialmente no Nordeste, por meio de operações da PRF no segundo turno das eleições de 2022, com o objetivo de dificultar o deslocamento de eleitores.
Antes da condenação no STF, Vasques já havia sido sentenciado pela Justiça Federal do Rio de Janeiro por uso político da estrutura da PRF durante a campanha eleitoral de 2022. Em ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF), a Justiça reconheceu que ele utilizou símbolos, recursos e a visibilidade institucional da corporação para favorecer a candidatura à reeleição do então presidente Jair Bolsonaro. A decisão impôs multa superior a R$ 500 mil, além de outras sanções de natureza cível.
Silvinei Vasques chegou a ser preso em 2023, mas obteve liberdade posteriormente mediante o cumprimento de medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
No início de 2025, Vasques foi nomeado secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação da Prefeitura de São José, na Grande Florianópolis, pelo prefeito Orvino Coelho de Ávila (PSD). No entanto, em dezembro de 2025, no mesmo dia em que foi condenado pelo STF no processo da trama golpista, ele pediu exoneração do cargo.