• 9 de novembro de 2025

É hora de silenciar o ruído da irrelevância: a grande mídia precisa aceitar que a COP30 é em Belém, e ponto

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A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), sediada em Belém do Pará, enfrenta um desafio que transcende as complexas negociações climáticas. É a resistência de parte da grande mídia e de influenciadores de fora da região em reconhecer a relevância do evento. Especialmente, é óbvio, porque acontece fora do eixo Sul-Sudeste. 

Apesar da logística ter-se superado e mostrado eficiência, apesar da infraestrutura do evento ter recebido elogios das delegações de fora, o foco das críticas permanece em questões periféricas. Na busca do click e do holofote, desvia-se a atenção do que realmente importa: estamos debruçados sobre o destino do planeta.

Inicialmente, o alarde foi sobre a hospedagem, um desafio logístico em uma cidade com infraestrutura hoteleira em expansão. O problema foi superado com soluções criativas e um esforço notável dos organizadores. Agora, esse olhar embaçado pela falta de compromisso, e pela visível adesão ao oba-oba, volta-se para os preços dos lanches e refeições no local.

A nova onda de ataques revela uma desconexão com a realidade. Preços elevados em concessões internas de grandes eventos são, infelizmente, uma constante no Brasil e no mundo. Tratar isso como o epicentro da COP30 é não apenas uma distorção, mas uma tentativa de ofuscar o que realmente importa. Com o recheio do preconceito que escorre fácil na boca dos invejosos. Para resolver isso, que nada tem a ver com Belém, e sim com o mercado, basta acessar a irrevogável lei da oferta e da procura e boicotar os aproveitadores.

A COP30 é muito mais que um evento local. É um chamado global urgente, que oferece uma rara oportunidade para o Brasil brilhar na diplomacia ambiental e para o mundo discutir compromissos reais de sustentabilidade. Reduzir essa conferência a problemas banais representa não só uma distorção da realidade, mas também um desserviço ao planeta que todos habitamos.

É a velha seletividade de quem olha a Amazônia de longe, buscando confirmá-la como espaço de carência, não de potência. Enquanto câmeras e cliques se voltam para o cardápio, o verdadeiro banquete de ideias e compromissos que está para ser servido corre o risco de passar despercebido.

Estamos no epicentro da crise climática, discutindo soluções que a Amazônia, com sua biodiversidade e papel vital na regulação do clima global, pode oferecer. A oportunidade é única: discutir as soluções para o aquecimento global a partir do coração da Amazônia, o pulmão e o termômetro do mundo.

O fato de o evento ocorrer em um local que detém muitas das chaves para a sustentabilidade global, se devidamente financiadas e valorizadas, deveria ser o ponto central de qualquer análise séria. No entanto, a narrativa se perde em trivialidades ou no pavoroso arroto de “influencers”

Essa postura revela um preconceito velado e uma dificuldade em aceitar que a Amazônia e suas populações, historicamente marginalizadas, podem, sim, ser protagonistas de um debate de tamanha envergadura. 

É hora de silenciar o ruído da irrelevância. Já é tempo de focar no que realmente interessa: a nossa sobrevivência coletiva.

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