- 23 de janeiro de 2026
Diretor de filme rival de ‘O agente secreto’, alfineta brasileiros no Oscar: “se inscrevessem um sapato, votariam nele”
O cineasta franco-espanhol Oliver Laxe gerou reação nas redes, na última quinta-feira (22), ao falar sobre o comportamento de brasileiros em competições, como o Oscar. Diretor de “Sirât”, que está na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Internacional com “O agente secreto”, ele elogiou o filme de Kleber Mendonça Filho, mas afirmou que os brasileiros são “ultranacionalistas” na hora de apontar suas preferências.
“Há muitos brasileiros na Academia (organização responsável pelo Oscar), e nós os adoramos… Mas eles são ultranacionalistas. Acho que, se os brasileiros inscrevessem um sapato no Oscar, todos votariam nele”, disse o diretor, em entrevista ao programa televisivo “La revuelta”, da emissora pública espanhola TVE.
Ele participava da atração televisiva no momento em que os indicados ao Oscar foram divulgados. “Sirãt” concorre às categorias de melhor som e melhor filme internacional, enquanto “O agente secreto” disputa quatro indicações (além de melhor filme internacional, melhor filme, melhor ator — para Wagner Moura — e melhor elenco). “Ganhar prêmios é um bônus. O melhor mesmo é fazer filmes”, declarou Oliver, na ocasião.
As falas do cineasta geraram revolta nas redes sociais e foram consideradas xenofóbicas por parte de internautas. Brasileiros reagiram com comentários na página do filme “Sirãt” no Instagram. “Este filme Sirãt é um ótimo filme para curar a insônia”, ironizou uma pessoa. “Ser brasileiro envolve tanta complexidade que gringo não entende mesmo”, respondeu outra usuária da rede social. “Respeita o Brasil: o choro é livre”, acrescentou mais um.
Ao falar sobre a força da representação brasileira na Academia, Oliver ressaltou o contingente de cerca de 70 integrantes do país, que reúne atores como Sonia Braga, Rodrigo Santoro, Fernanda Torres, Alice Braga, Maeve Jinkings, Wagner Moura e Selton Mello, cineastas como Walter Salles, Fernando Meirelles, Anna Muylaert e Kleber Mendonça Filho, além de produtores, músicos e roteiristas.
Atualmente, cerca de 10,9 mil membros compõem a Academia do Oscar, sendo pouco mais de 9,9 mil com direito a voto. O ingresso não se dá por candidatura espontânea, mas por meio de indicações: para se filiar, o profissional precisa ser recomendado por dois integrantes do mesmo ramo de atuação, e os nomes ainda passam pelo crivo de um comitê interno. Já os indicados ao Oscar ganham visibilidade automática dentro da instituição e podem ser admitidos sem a exigência de padrinhos.
Fonte: O Globo