• 18 de março de 2026

Deputados do Pará são citados na “Planilha da Propina” encontrada em operação da PF

Reprodução

Em apuração exclusiva, o colunista do O Globo, Lauro Jardim, revelou que nomes de ao menos quatro deputados federais do Pará aparecem em um documento apreendido pela Polícia Federal durante operação realizada na última segunda-feira (16), em Belém. A ação resultou na apreensão de R$ 500 mil em dinheiro vivo e na prisão em flagrante de três pessoas.

No material, constam valores que variam de R$ 100 mil a R$ 538 mil, sem indicação clara sobre a origem ou finalidade das quantias.

Os deputados citados são Raimundo Santos (PSD), Henderson Pinto (MDB), Keniston Braga (MDB) e Olival Marques (MDB). O maior valor, de R$ 538 mil, aparece associado a Raimundo Santos. Henderson Pinto surge com R$ 485 mil, enquanto Olival Marques e Keniston Braga estão ligados a R$ 139 mil e R$ 100 mil, respectivamente.

O documento, escrito à mão, também cita municípios paraenses como Bagre, Curralinho, Bujaru e Muaná, todos vinculados a valores.

Apesar das menções, os parlamentares não aparecem no relatório oficial da Polícia Federal ao qual a coluna teve acesso. Até o momento, não há confirmação de que sejam investigados.

Durante a operação, foram presos em flagrante o empresário Felipe Linhares Paes, Ronaldy Rian Moreira Gomes e Michel Silva Ribeiro. A abordagem ocorreu após a PF identificar um saque de R$ 500 mil em espécie em uma agência do Banco do Brasil.

Segundo a investigação, Ronaldy realizou a retirada do dinheiro e seguiu até um carro blindado, onde Felipe o aguardava. Durante a ação policial, o empresário tentou fugir e chegou a apontar uma arma contra os agentes, sendo contido após um disparo de advertência.

Ainda de acordo com a Polícia Federal, Ronaldy confessou atuar como “laranja”, recebendo cerca de R$ 3 mil mensais para figurar como sócio de uma empresa controlada por Felipe. A corporação aponta indícios de um esquema estruturado de ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro, com uso de terceiros para movimentação de recursos.

A investigação indica possíveis crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa, corrupção ativa e passiva, além de resistência à prisão e porte ilegal de arma. Também há suspeitas de que os valores tenham ligação com fontes ilícitas, incluindo pessoas investigadas por tráfico de drogas.

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