- 4 de novembro de 2025
COP30 mobiliza reforço de segurança com foco nas facções, escolta de autoridades com blindados e GLO, mostram documentos
A realização da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30) em Belém (PA) mobilizou um esquema especial de segurança. O planejamento, que consta em documentos obtidos pelo GLOBO, prevê a proteção a autoridades brasileiras e estrangeiras, busca conter eventuais ações do crime organizado e inclui um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para a capital e os municípios de Altamira e Tucuruí.
Um dos focos de atenção é a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira. O empreendimento está sendo protegido por agentes da Força Nacional de Segurança. Ao solicitar o apoio ao Ministério da Justiça, a pasta de Minas e Energia citou em ofício o “reconhecido aumento da atuação de facções criminosas na região, como o Comando Vermelho e o Comando Classe A”. O receio é de ações que possam afetar o funcionamento da usina, como bloqueios no acesso e “interferências logísticas”.
A realização da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30) em Belém (PA) mobilizou um esquema especial de segurança. O planejamento, que consta em documentos obtidos pelo GLOBO, prevê a proteção a autoridades brasileiras e estrangeiras, busca conter eventuais ações do crime organizado e inclui um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para a capital e os municípios de Altamira e Tucuruí.
Um dos focos de atenção é a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira. O empreendimento está sendo protegido por agentes da Força Nacional de Segurança. Ao solicitar o apoio ao Ministério da Justiça, a pasta de Minas e Energia citou em ofício o “reconhecido aumento da atuação de facções criminosas na região, como o Comando Vermelho e o Comando Classe A”. O receio é de ações que possam afetar o funcionamento da usina, como bloqueios no acesso e “interferências logísticas”.
O Pará se tornou rota de escoamento de drogas que entram pelo Amazonas. De acordo com a Polícia Civil do Rio, a megaoperação da semana passada que deixou 121 mortos tinha entre os alvos de mandados de prisão 32 integrantes do Comando Vermelho que são do estado.
No Plano de Atuação Integrada das Forças de Segurança, distribuído às polícias e órgãos de inteligência, o governo federal afirma que, por reunir líderes globais, a COP30 torna-se “alvo potencial para grupos que desejam desestabilizar a geopolítica ou exportar suas agendas políticas”.
Outro documento mostra um pedido da Polícia Federal de 77 veículos blindados e 154 carros descaracterizados, a um custo de R$ 12,1 milhões, para o transporte e escolta de autoridades. São 46 ruas e avenidas de Belém que deverão ser supervisionadas por se tratarem de rotas de autoridades ou estarem próximas aos hotéis das delegações estrangeiras. O estacionamento de veículos nesses locais será proibido durante o evento.O governo prevê a presença de chefes de Estado, ministros, diplomatas, cientistas e líderes empresariais de mais de 190 países.
— A Polícia Federal terá uma atuação ampla e integrada na segurança da COP30, em Belém. Nossas equipes estarão mobilizadas para proteger as delegações e autoridades estrangeiras, garantir o controle migratório e reforçar a fiscalização em portos, aeroportos e fronteiras — afirmou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ao GLOBO.
A principal área de segurança será o Parque da Cidade, onde ocorrerá o evento — uma área de 500 mil m² (equivalente a 50 campos de futebol) destinada à circulação de público credenciado, visitantes e autoridades. Além do parque, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) definiu como pontos sensíveis os acessos terrestres, aéreos e fluviais, os locais de hospedagem de autoridades e infraestruturas críticas, como sistemas de energia elétrica, telecomunicações, abastecimento de água, transporte público e hospitais.
Os documentos mostram ainda que agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e do GSI chegaram antes à capital paraense. Caberá ao GSI “identificar e neutralizar possíveis ameaças cibernéticas, espionagem e ataques informacionais”. Já a Abin será responsável por monitorar, “em caráter permanente, eventos críticos relacionados às reuniões da COP30”, incluindo ameaças à segurança das redes de comunicação. O órgão também fará a troca de informações com serviços de inteligência estrangeiros.
Violência no Pará
Apesar da queda nas mortes violentas, índice que saiu de 31,9 por 100 mil habitantes em 2023 para 29,5 em 2024, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Pará é o oitavo estado com a maior taxa no país. O estado serve para escoamento da droga que transita pela chamada “Rota do Solimões”, com a entrada de cargas ilícitas principalmente na região de Tabatinga (AM).
— Da mesma maneira que o PCC não vive mais só da venda de drogas, o Comando Vermelho, ao atuar na região Norte, percebeu que o tráfico não é a única fonte de renda. Eles passaram a explorar terras indígenas, mineração ilegal e exploração ilegal de madeira — afirmou o coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) no Ministério Público do Pará (MP-PA), Danyllo Colares.
O delegado da Polícia Federal no Pará Lucas Sales aponta que o estado é geograficamente atrativo para traficantes. Instaladas no local, as facções buscam diferentes maneiras de explorar o território. Há investigações em curso que mostram que o Comando Vermelho já explora até plantações de dendê.
— Eles expulsam indígenas e começam a colher frutos. Aposto que na região ganham mais com isso do que com o tráfico, porque dá fruto o ano inteiro, é uma coisa muito rentável — disse.
Coordenador de projetos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, David Marques explica que houve nos últimos anos um processo de intensificação de facções criminosas na Amazônia Legal, com a predominância do Comando Vermelho. Apesar de o carro-chefe da atuação criminal ser o narcotráfico, há uma diversificação da fonte de renda com outras atividades criminosas na região.
— Existe uma afinidade do circuito ilegal do ouro e da cocaína. É possível compartilhar a infraestrutura, como postos de abastecimento, e eles ainda fornecem droga aos garimpeiros. E sendo áreas mais afastadas, são também ótimos esconderijos para os foragidos — explicou.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) do Pará afirmou que tem intensificado o combate às organizações criminosas, especialmente após a criação de uma delegacia especializada no combate às facções, e que tem reduzido o número de Crimes Violentos Letais Intencionais (homicídio, feminicídio, latrocínio e lesão corporal seguida de morte) de 2018 para cá.
A pasta afirmou ainda que em relação à COP30, “estabeleceu o planejamento administrativo e operacional para garantir a segurança e a ordem pública durante os eventos principais e paralelos”, com a mobilização de 10 mil agentes e mais de 700 viaturas.