- 5 de janeiro de 2026
Conselho de Segurança da ONU inicia reunião de emergência para discutir captura de Maduro e ataque dos EUA à Venezuela
O Conselho de Segurança da ONU se reúne nesta segunda-feira em uma sessão de emergência, a pedido da Venezuela, para discutir a captura do líder chavista Nicolás Maduro pelos EUA, em uma operação militar em solo venezuelano no sábado. O caso provocou uma série de questionamentos sobre a legalidade da ação americana à luz do direito internacional, e acendeu um sinal de alerta em países aliados de Washington, que se mantêm atentos sobre uma eventual validação à violação de soberania. É a primeira reunião do Conselho de Segurança em 2026, sob a Presidência da Somália.
Em uma declaração inicial lida pela subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, cobrou respeito pela independência política dos Estados, e pelos princípios que regem as relações internacionais.
“Em situações tão confusas e complexas como a que enfrentamos agora, é importante mantermos a fidelidade aos princípios: respeitar a Carta da ONU e todos os outros marcos aplicáveis para salvaguardar a paz e a segurança”, pontuou a mensagem de Guterres. “Respeito aos princípios da soberania, da independência política e da integridade territorial dos Estados. A proibição da ameaça ou do uso da força. O poder da lei deve prevalecer. O direito internacional contém instrumentos para abordar questões como o tráfico ilícito de narcóticos, as disputas por recursos e as preocupações com os direitos humanos. Este é o caminho que devemos seguir”.
A Colômbia condenou a ação militar americana contra a Venezuela, citando bombardeios contra alvos civis e militares no país. A delegação de Bogotá acusou os EUA de violações diretas à Carta da ONU, e classificou a situação como grave.
“Não existe justificativa alguma, em nenhuma circunstância, para o uso unilateral da força, nem para cometer um ato de agressão”, disse a representante venezuelana, criticando o uso e a ameaça do uso da força.
Embora as reações à prisão de Maduro tenham sido variadas, boa parte da comunidade internacional manifestou preocupação com possíveis violações da Carta da ONU. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, expressou sua preocupação com o “respeito ao direito internacional”, ao passo que a União Europeia, maior aliada histórica dos EUA, pediu “calma e moderação” a todas as partes.
Embora não seja membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Brasil pretende pedir para se pronunciar. Segundo interlocutores a par do assunto ouvidos pelo GLOBO, a ideia é reforçar a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que condenou publicamente a ofensiva dos EUA. A participação brasileira, será feita por meio do embaixador brasileiro na ONU, Sergio Danese.
O encontro das representações diplomáticas na sede do principal braço de segurança da ONU ocorre a poucos metros do tribunal federal de Nova York onde Maduro será apresentado a um juiz federal ainda nesta segunda. O presidente venezuelano e sua esposa, Cilia Flores, serão apresentados às denúncias e deverão se declarar culpados ou inocentes das acusações. Espera-se que o juiz do caso decrete que os dois aguardem o julgamento na prisão.