• 3 de fevereiro de 2026

Comunidades de Bujaru e Acará debatem possível aterro que pode receber lixo da Grande Belém

Reprodução: Divulgação

A Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE-PA) convocou uma reunião com comunidades rurais de Bujaru e Acará para discutir os impactos da possível instalação de um aterro sanitário na região, projetado para receber resíduos da Região Metropolitana de Belém. O foi realizado nesta terça-feira (3), em uma igreja localizada no km 32 da Alça Viária, na localidade de Nínive, Vila São Pedro, no Ramal do Atlético.

O convite é assinado pela defensora pública Andreia Macedo Barreto, da 1ª Defensoria Pública Agroambiental de Castanhal, e foi encaminhado a moradores de diversas comunidades, entre elas Baixo Igarapezinho, Alto Igarapezinho, Curimbó, Santo Amaro, Tracuateua, São Paulo, Guarani, São Raimundo, Corinthians e Santa Maria. Também foram convidados representantes do Movimento Igarapés Vivos – Comunidades de Bujaru, além de instituições como o Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público Estadual, Defensoria Pública da União, Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e advogados que acompanham o caso.

De acordo com a Defensoria, a reunião cumpre um compromisso firmado em 13 de janeiro de 2026, quando ficou acordado que as comunidades potencialmente impactadas seriam ouvidas antes da audiência pública do licenciamento ambiental. A proposta é construir, em parceria com a UFRA, um cronograma de visitas técnicas às áreas atingidas e registrar as principais preocupações de quilombolas, ribeirinhos, agricultores e demais moradores.

A audiência pública sobre o empreendimento está prevista para o dia 20 de fevereiro de 2026, no âmbito do processo de licenciamento conduzido pelo Estado do Pará. A Defensoria informou que pretende levar à discussão oficial relatos sobre possíveis riscos à qualidade da água, à saúde e ao modo de vida das comunidades tradicionais, que vêm se mobilizando contra o projeto.

O aterro previsto para Bujaru integra o Complexo de Destinação Final de Resíduos Sólidos Urbanos, da empresa Revita Engenharia S/A, ainda em fase de licenciamento ambiental e sem licença prévia concedida. O empreendimento é apontado por autoridades estaduais e municipais como uma das alternativas para substituir o aterro de Marituba, que opera com prorrogações judiciais e já ultrapassou a capacidade originalmente prevista. Encontra-se saturado.

Segundo o Ministério Público Federal, o processo de licenciamento avançou sem a devida consulta a todas as comunidades potencialmente impactadas, em desacordo com a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Diante disso, o órgão recomendou a suspensão da audiência pública até que os grupos afetados fossem formalmente ouvidos.

Desde 2022, moradores de Bujaru e Acará realizam protestos na Alça Viária e em vias de Belém contra a instalação do novo aterro. Lideranças quilombolas, indígenas, ribeirinhas e de agricultores afirmam que o projeto ameaça a economia local, a qualidade da água e a saúde da população, além de repetir problemas enfrentados no entorno do aterro de Marituba. As comunidades também questionam decisões judiciais que mantiveram o licenciamento, mesmo diante de parecer técnico da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) apontando inviabilidade ambiental da área.

Enquanto o novo empreendimento segue sob análise e contestação, o aterro de Marituba, em funcionamento desde 2015, continua recebendo resíduos de Belém, Ananindeua e Marituba. A unidade ocupa cerca de 100 hectares e recebe entre 480 mil e 500 mil toneladas de lixo por ano. Em decisão mais recente, o Tribunal de Justiça do Pará prorrogou o funcionamento do aterro até 30 de junho de 2027, condicionando a medida à apresentação de um cronograma para implantação de novos aterros, incluindo os de Bujaru e Acará, com acompanhamento técnico e judicial.

Respostas

“A Ciclus Amazônia esclarece que o processo de licenciamento da Central de Tratamento de Resíduos Metropolitana segue em análise pelos órgãos competentes, com acompanhamento do Tribunal de Justiça do Estado do Pará e do Ministério Público do Estado do Pará, que se manifestaram através de suas respectivas equipes técnicas, ressaltando que os estudos técnicos apresentados demonstram que o empreendimento é viável tecnicamente e cumpre com todas as exigências ambientais. Atualmente, o projeto está tramitando para um passo importante, qual seja a designação de Audiência Pública, momento que a Concessionária apresentará o projeto à população, proporcionando a ampla e efetiva participação dos munícipes, fortalecendo a transparência e o controle social, através da promoção de um momento qualificado de diálogo com a população local, voltado a esclarecer dúvidas e colher, com escuta ativa, sugestões e percepções da comunidade. A Ciclus Amazônia reforça seu compromisso com o diálogo, a legalidade e a transparência, ressaltando que o projeto foi concebido para oferecer uma solução regulada, pública e reversível para o manejo de resíduos da região, com segurança ambiental e sanitária”, disse a Ciclus Amazônia, empresa que cuida da coleta e destinação do lixo de Belém.

“A Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) informa que o processo de licenciamento da Central de Tratamento de Resíduos Sólidos (CTR) da Ciclus Amazônia S.A., em Acará, foi indeferido após análise técnica. Por determinação da justiça, a análise foi retomada e está em curso. Até o momento, não há elementos que permitam a emissão da licença”, ressaltou a pasta.

Relacionadas

Denúncias de violência contra a mulher sobem 20% no Pará e pressionam pacto entre poderes para conter o feminicídio

Denúncias de violência contra a mulher sobem 20% no…

Está marcada para a próxima quarta-feira, 4, a assinatura do novo Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, uma iniciativa estratégica que…
Senado aprova programa que garante gás de cozinha gratuito para famílias de baixa renda

Senado aprova programa que garante gás de cozinha gratuito…

O Senado Federal aprovou nesta terça-feira (3) a criação de uma nova política pública que garante botijão de gás gratuito ou…
Anvisa proíbe venda de leite condensado e dois suplementos

Anvisa proíbe venda de leite condensado e dois suplementos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta segunda-feira (2), a interdição cautelar do leite condensado semidesnatado La Vaquita e…